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Cristina Kirchner ataca ruralistas em discurso

18/06 - 18:33 - Agência Estado

Buenos Aires - Milhares de pessoas lotaram esta tarde a Praça de Maio, em Buenos Aires, num ato de apoio à presidente argentina Cristina Kirchner. O ato foi convocado pelo Partido Justicialista, sob a liderança do ex-presidente e marido de Cristina, Néstor Kirchner, para rebater a posição dos ruralistas, que se mobilizam há dias contra as retenções (impostos de exportações).

Em discurso transmitido em rede nacional de televisão, Cristina voltou a atacar os quatro dirigentes das entidades representativas do setor agropecuário, Luciano Miguens, Eduardo Buzzi, Mario Llambias e Fernando Gionio. "Um setor da sociedade, uma corporação, quatro pessoas em quem ninguém votou, que ninguém escolheu, se reuniam, deliberavam, decidiam e comunicavam ao resto dos argentinos quem podia andar pelas rodovias do país e quem não", disparou. Para ela, os protestos do setor feriram a democracia na Argentina.

"Quero ver o campo produzindo e agregando mais valor para dar mais emprego, assim como a indústria e o comércio, mas para isso é preciso tomar decisões e quando tomei decisões para redistribuir a renda não fiz para prejudicar ninguém, ao contrário, juro, foi para que todos os argentinos pudessem viver um pouco melhor, para que os alimentos estejam na mesa dos argentinos", disse Cristina, justificando as retenções.

"Os alimentos e a energia estão cada vez mais caros e esse foi meu compromisso quando assumi a presidência, de viver um bicentenário diferente do que viveu esse país há 100 anos: quando era o principal exportador de carne e grãos, mas a população morria de fome e seus operários eram fuzilados", afirmou.

Apesar do tom duro do discurso contra os líderes ruralistas, Cristina fez um chamado aos dirigentes. "Em nome da democracia em vigor, da Constituição, das leis, peço que deixemos de olhar para nosso umbigo (...) e sejamos inteligentes para aproveitar a oportunidade histórica que nos apresenta: pela primeira vez eles (os países desenvolvidos) necessitam mais de nós, que nós deles", afirmou em referência à escassez mundial de alimentos.

Acordo

Neste sentido, Cristina convocou todos os setores para um acordo. "Daqui da praça de maio, de todos os argentinos, quero convocar para que discutamos esse acordo do bicentenário sobre como podemos melhorar nossas políticas agropecuárias para, não só produzir mais, mas também que os argentinos continuem comendo bem". Cristina disse ainda que os produtores rurais se "equivocaram de rumo" e estiveram "confusos", mas reiterou seu convite ao diálogo. E ressaltou que isso implica não estar de acordo em alguns pontos das discussões.

Cristina pediu a liberação das rodovias. "Deixem que os argentinos produzam e voltem a trabalhar e que não tenham medo nem dúvidas de exercer sua representação setorial porque se são realmente representativos não precisam bloquear rodovias para que não se comercialize grãos e carne", desafiou. Também disse que estendia a mão ao setor. Porém, sugeriu que os líderes ruralistas "constituam um partido político e se apresentem nas próximas eleições para executar suas próprias políticas e modelo".

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