13/06 - 19:35 - EFE
Buenos Aires, 13 jun (EFE).- As transportadoras de grãos da Argentina se comprometeram hoje perante o Governo a levantar os bloqueios das estradas que realizam há dias e causaram desabastecimento de alimentos e combustíveis.
O Executivo dispôs uma série de medidas para "assegurar a liberdade de circulação" e pediu a "participação ativa" das autoridades das províncias nas quais as interrupções das estradas persistem.
O titular da Federação de Transportadoras Rurais, Carlos Di Nuncio, explicou que a decisão foi tomada pelo setor depois que as entidades agropecuárias, em conflito com o Executivo há mais de três meses, "ratificaram que se pode carregar cereal" destinado à exportação.
O secretário de Transporte, Ricardo Jaime, assegurou em entrevista coletiva que o fim das mais de 300 interrupções de estradas realizadas pelas transportadoras "obedeceu a um pedido feito pela presidente" do país, Cristina Fernández de Kirchner.
Os prolongados bloqueios de estradas levaram a uma situação crítica a vastas regiões da Argentina, onde já se sente a falta de combustíveis e se aguça a escassez de alimentos básicos, principalmente no interior do país.
Os proprietários de caminhões transportadores de cereais tinham iniciado os protestos no dia 3 de junho para reivindicar ao Governo que retome o diálogo com o campo e que os produtores agropecuários voltem a comercializar seus grãos.
Após o compromisso assumido pelas transportadoras, o ministro da Justiça, Aníbal Fernández, anunciou que o Governo "enviou notas aos governadores" das províncias nas quais foram registrados bloqueios de estradas, "solicitando-lhes sua participação ativa" na normalização da circulação de veículos.
A greve comercial dos produtores agrários terminou à meia-noite do domingo passado, mas muitos mantêm retida sua colheita nos campos para não convalidar os novos impostos às exportações de grãos decretados pelo Executivo, que foram o estopim do conflito rural há três meses.
As organizações agropecuárias, que esperam que o Governo lhes convoque novamente para o diálogo, foram contatadas nesta quinta-feira pelo titular da Confederação Geral do Trabalho - a maior central operária argentina -, Hugo Moyano, um aliado do Executivo argentino.
Conforme publicado pelo jornal "Página/12", apesar do conflito, a Argentina exportou nos primeiros cinco meses do ano 28,8 milhões de toneladas de grãos e subprodutos, 893.000 toneladas a mais que no mesmo período de 2007.
Esses dados, procedentes da Alfândega, revelam que os exportadores receberam, depois de descontar os polêmicos impostos, US$ 10,399 bilhões, 63% mais que entre janeiro e maio de 2007.
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