12/06 - 08:59, atualizada às 09:41 12/06 - Redação com agências
SÃO PAULO - O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central vai manter o ciclo de aperto do juro, iniciado em abril, para conter a alta dos preços no país. "O Comitê acredita que a atual postura de política monetária, a ser mantida enquanto for necessário, irá assegurar a convergência da inflação para a trajetória das metas", afirmaram os diretores do BC na ata da última reunião do Copom, divulgada nesta quinta-feira.
Na reunião da semana passada, o Copom elevou a taxa básica de juros da economia brasileira -a Selic- em 0,50 ponto percentual, para 12,25%, em linha com as expectativas do mercado. Foi o segundo aumento consecutivo da taxa.
Os sinais de aquecimento da economia, ilustrados pela "aceleração de certos preços no atacado", alta de preços de produtos no varejo e a rápida elevação das expectativas dos índices são considerados pelo Copom riscos para a inflação.
"De fato, a deterioração do cenário prospectivo se manifesta nas projeções de inflação consideradas pelo comitê. O Copom considera, também, que a persistência de descompasso importante entre o ritmo de expansão da demanda e da oferta agregadas tende a exacerbar o risco para a dinâmica inflacionária."
Por isso, o comitê considerou necessário elevar os juros, para "por um lado, contribuir para a convergência entre o ritmo de expansão da demanda e oferta e, por outro, evitar que pressões originalmente isoladas sobre os índices de preços levem à deterioração persistente das expectativas e do cenário prospectivo para a inflação".
Na ata, o Copom diz ainda que, ao aumentar os juros, está contribuindo para a sustentação do crescimento da economia, o que requer estabilidade e previsibilidade, permitindo o planejamento das empresas e famílias, "bem como para resguardar os importantes incrementos na renda real dos assalariados observados nos últimos anos".
A ata menciona que o aquecimento da economia já provoca o aumento de preços no atacado e dos núcleos dos índices de inflação. Ao observar esse quadro, os agentes de mercado pioram suas expectativas para os índices de preços, o que, por si só, já é outra fonte de pressão inflacionária. Na pesquisa realizada pelo próprio BC com analistas financeiros, a previsão para o IPCA de 2008 passou de 4,66% em abril para 5,48% no começo de junho. Quanto maiores as expectativas da sociedade para a inflação, explica o BC, mais fácil é repassar o aumento de custos para os preços finais.
O Copom também reitera a preocupação quanto ao descompasso entre demanda e oferta e ainda com as repercussões da inflação em escala global, cujas pressões inicialmente específicas o comitê não quer ver se generalizar pelos preços. O Copom considera que se mantém elevada a probabilidade de que pressões inflacionárias inicialmente localizadas venham a apresentar riscos para a trajetória da inflação, uma vez que o aquecimento da demanda doméstica e do mercado de fatores, bem como a possibilidade do surgimento de restrições de oferta setoriais, podem estar ensejando aumento no repasse de pressões sobre preços no atacado para os preços ao consumidor , diz o documento.
Essa conjuntura, porém, já afetou os prognósticos futuros. Sem revelar os números exatos, a ata informa que no cenário de referência do BC (taxa de câmbio em R$ 1,65 e Selic em 11,75%), aumentou a projeção para o IPCA de 2008, que ficaria acima do centro da meta para o ano, de 4,5%. No cenário de mercado (com mobilidade nas taxas de câmbio e juros), ocorreu o mesmo. Em ambos os casos, a projeção do IPCA de 2009 também superou 4,5%.
Com informações da Reuters, do Valor Online e da Agência Brasil
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