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Economia tem expansão forte em 12 meses, mas analistas vêem desaceleração

10/06 - 09:05, atualizada às 21:18 10/06 - Redação com agências

SÃO PAULO - A economia brasileira cresceu 5,8% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2007, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A taxa de crescimento acumulada em 12 meses foi de 5,8%, a maior para um primeiro trimestre desde 1996, quando começa a série histórica do IBGE.

 

Apesar disso, analistas já vêem uma tendência de desaceleração do crescimento. A expansão do PIB foi puxada pelo consumo das famílias, que se expandiu 6,6% na comparação com o 1º trimestre de 2007, e pelo investimento. A taxa de investimento ficou em 18,3% no primeiro trimestre, a maior para o período desde 2001, quando foi de 19,1%.

Em relação ao trimestre anterior, o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) foi de 0,7%.

A expansão foi menor que a registrada no quarto trimestre de 2007, quando a economia brasileira cresceu 6,2% em relação ao mesmo período de 2006 e 1,6% em relação ao trimestre imediatamente anterior.

O PIB somou R$ 665,5 bilhões, de acordo com o IBGE. Foram R$ 560,7 bilhões em Valor Adicionado e R$ 104,8 bilhões em impostos sobre produtos.

Fonte: IBGE

Para Francisco Pessoa, da LCA consultores, o crescimento menor no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior indica uma tendência de desaceleração do crescimento nos próximos trimestres. "O consumo das famílias desacelerou no primeiro trimestre", diz ele.

Pessoa atribui o movimento aos juros futuros, que já vinham subindo desde o final do ano passado, influenciando as taxas de juros cobradas pelos bancos, e à inflação dos alimentos.

Fonte: dados oficiais dos governos

Consumo

O consumo no País continuou a liderar o crescimento do PIB, junto com os investimentos, no primeiro trimestre deste ano, crescendo 6,6% no primeiro trimestre, o décimo oitavo crescimento consecutivo em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, segundo o IBGE. Para o órgão, o consumo das famílias foi puxado pela elevação real (descontada a inflação) dos salários e pela expansão do crédito.

Já as despesas da administração pública cresceram 5,8%, enquanto a formação bruta de capital fixo (indicativo dos investimentos feitos no País) cresceu 15,2%, expansão atribuída pelo IBGE ao aumento da produção e da importação de máquinas e equipamentos.

Para Jason Vieira, da consultoria UpTrend, o crescimento do consumo das famílias e dos investimentos é conseqüência do processo de afrouxamento da política monetária desde 2005.

Mas ele prevê perda de um ponto percentual no crescimento no ano por conta do processo de alta dos juros básicos da economia, da inflação mais alta e da crise internacional. "A alta da Selic não vai afetar o crescimento agora, porque os prazos dos financiamentos são longos, mas mais para a frente vamos sentir o efeito", diz Vieira.

Já Pessoa, da LCA, vê uma acomodação do crescimento. "Não dá para comprar bens duráveis todo mês". Mas ele acha que a alta da Selic não deve afetar o consumo, já que a alta da taxa já era esperada pelo mercado.

O analista da LCA vê também uma tendência de desaceleração do investimento, devido à base forte. "Mas vai ser destaque no ano, o investimento vai crescer mais que o consumo, o que é bom", diz Pessoa.

Exportações

As exportações, que vinham crescendo desde o terceiro trimestre de 2006, registraram uma queda de 2,1% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior. As importações também apresentaram mais uma vez elevação nesta comparação, da ordem de 18,9%, o décimo oitavo crescimento seguido desde o quarto trimestre de 2003.

Vieira diz que a valorização do dólar, "que não parou", causou um "crescimento exponencial" das importações, o que também deve contribuir para reduzir o crescimento nos próximos trimestres. As importações têm peso negativo no PIB, porque representam produção que não aconteceu no País.

"Os dados mostram que parte da demanda interna está sendo atendida por importações", diz Pessoa.

A taxa de poupança bruta (poupança em relação ao PIB) chegou a 16,8% no primeiro trimestre de 2008, segundo o IBGE. A taxa foi menor do que a apurada no primeiro trimestre do ano passado, quando havia sido de 17,2%.

Setores

Na comparação com o mesmo trimestre do ano passado, o setor que teve o maior crescimento foi a indústria, com taxa positiva de 6,9%, seguida pelos serviços, com expansão de 5%, e agropecuária com crescimento de 2,4%.

Segundo o IBGE, o destaque dentro da indústria foi a construção civil, que cresceu 8,8%, a maior taxa desde o segundo trimestre de 2004.

A atividade de intermediação foi destaque nos serviços. Com expansão de 15,2%, bem acima do crescimento de 9,3% apurado no primeiro trimestre de 2007 ante igual período do ano anterior, esse segmento está sendo impulsionado especialmente pelo aumento do crédito, segundo Rebeca Palis, gerente de contas trimestrais do IBGE.

Outro subsetor de destaque no primeiro trimestre foi o de serviços de informação, que cresceu 9,5% ante igual trimestre do ano passado. Segundo Rebeca, esse segmento - que inclui telecomunicações, informática e TV por assinatura - foi impulsionado especialmente pelo bom desempenho da telefonia móvel.

Já a expansão da agropecuária foi puxada pela produção de milho, arroz e soja, segundo o IBGE.

Na nova séria de contas nacionais do IBGE, cujas divulgações tiveram início no ano passado, a agropecuária tem participação de 5,6% no PIB; a indústria, de 27,7%; e os serviços, de 66,7%.

Trimestre anterior

Na comparação com o trimestre imediatamente anterior, a agropecuária se retraiu em 3,5% na comparação com os três últimos meses de 2007. Por outro lado, a indústria cresceu 1,6% e os serviços, 1%.

Entre os componentes da demanda do PIB, a formação bruta de capital fixo subiu 1,3% perante o trimestre anterior, enquanto o consumo das famílias ampliou-se em apenas 0,3%. O consumo do governo, porém, deu um salto de 4,5%.

Na parte das contas externas, as exportações de bens e serviços caíram 5,7% e as importações apresentaram incremento de 0,8%.

Com informações do Valor Online e da Agência Estado

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