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Alta nos juros pode interromper investimentos, diz Ipea

05/06 - 12:08, atualizada às 12:13 05/06 - Agência Estado

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), fundação pública federal vinculada ao Núcleo de Assuntos Estratégicos da Presidência da República, Márcio Pochmann, afirmou hoje que a elevação da taxa básica de juros, a Selic, pelo Banco Central (BC), anunciada ontem à noite, pode interromper o ciclo de investimentos em curso no Brasil, repetindo-se o que já ocorreu em 2004 e havia acontecido no Plano Real.

 

"O juro pode ter um efeito de desacelerar a inflação, mas pode ter efeito maior, negativo, sobre a produção, os investimentos e a sociedade", declarou Pochmann, em entrevista após participar de audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa, no Senado.

Pochmann disse que a decisão de elevar os juros indica que, na avaliação do BC, há uma inflação de demanda - cenário reforçado pela alta do superávit primário (economia que o governo faz para pagamento de juros da dívida). Mas o presidente do Ipea discorda dessa avaliação: "Particularmente, acho que a inflação é de custos, é importada." Ele afirmou que esse tipo de surto inflacionário não se combate com a elevação da taxa de juros, mas com outros instrumentos, como a contenção de crédito, a elevação de tributos e a ampliação das importações.

Ontem, o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a elevação da taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual, pela segunda vez no ano, para 12,25% ao ano.

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