O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), Márcio Nakane, elevou hoje de 4,50% para 5,93% a projeção da inflação na cidade de São Paulo para o final de 2008. De acordo com ele, a forte modificação foi provocada principalmente pela aceleração observada nos preços nos mais recentes levantamentos da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) e pela tendência de que a inflação permaneça pressionada, especialmente por causa dos alimentos, no curto prazo.
Se confirmada essa estimativa, o IPC superaria o resultado de 2007, quando mostrou alta de 4,38% nos preços. Entre janeiro e maio de 2008, a inflação foi de 2,82% e superou a taxa observada no mesmo período do ano passado, de 1,81%. Nos últimos 12 meses até maio de 2008, a inflação foi de 5,41%, a mais elevada neste tipo de comparação desde a segunda quadrissemana (período de 30 dias encerrado na segunda semana do mês) de agosto de 2005, quando ficou em 5,57%.
O coordenador salientou também que a revisão na previsão do ano tem uma forte ligação com um erro dele na antiga estimativa para o grupo Habitação em 2008. "Estava trabalhando com um número errado de 1,50%." Só entre janeiro e maio, a inflação do grupo já foi de 2%. Agora, estamos aguardando uma variação de 4,50% para este grupo no final do ano", explicou.
Quanto ao grupo Alimentação, que já acumulou alta de 15,21% entre janeiro e maio, Nakane espera uma desaceleração, pois trabalha com a possibilidade de variação de 11% para o final de 2008. Para junho, entretanto, as pressões devem continuar dentro do grupo.
A estimativa do coordenador, de 3%, é muito parecida com a que foi vista em maio. No mês passado, o grupo avançou 3,17%, atingindo a maior marca desde dezembro de 2002 (3,36%), e foi o principal responsável para que o IPC batesse uma nova marca: a taxa mensal mais elevada para a inflação em São Paulo desde fevereiro de 2003 (1,61%).
Para a inflação geral de junho, Nakane informou que está trabalhando com uma estimativa de 0,94%, que seria menor do que a taxa apurada no mês anterior. "O que estamos esperando para junho permanece fundamentalmente ligado ao comportamento dos preços da Alimentação. Para os demais grupos, aguardamos números mais comportados."