SÃO PAULO - Se depender de seus vigilantes terceirizados, muitas agências bancárias podem não abrir para atendimento ao público paulistano amanhã, a exemplo do que já aconteceu hoje. De acordo com o Sindicato dos Empregados em Empresas de Vigilância, Segurança e Similares de São Paulo (SEEVISSP), cerca de 10 mil trabalhadores da categoria cruzaram os braços nesta terça-feira e impediram o funcionamento de 493 agências na Grande São Paulo, a maioria delas na capital paulista. Segundo o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região há 2.167 agências na capital paulista.
Conforme Lei Federal 7.102/83, que trata de segurança bancária, as agências não podem abrir para atendimento sem pelo menos dois vigilantes, sob o risco de serem multadas. De acordo com o sindicato da categoria, cerca de 90% dos bancos trabalham com equipes terceirizadas de vigilantes, justamente os estão em greve. Na hora do almoço, boa parte das agências da Avenida Paulista estava fechada e um grupo de trabalhadores chegou a ocupar três pistas de uma das vias da avenida, complicando o trânsito da região.
Mesmo assim, a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) divulgou comunicado no meio do dia avisando que o movimento estava normal na maioria das agências bancárias e que o pagamento de contas vencendo hoje estava sendo considerado também normal. A entidade mantém as mesmas orientações para amanhã.
Os trabalhadores do setor pleiteiam adicional de risco de vida de 15%, participação nos lucros e resultados da empresa e reajuste salarial de 9,9%. O Sindicato das Empresas de Segurança Privada do Estado de São Paulo (SESVESP) diz que a negociação com a categoria está em andamento desde o mês passado e que 13 dos 22 sindicatos aceitaram a proposta de reajuste salarial de 5,9%, 14% de aumento no ticket-refeição e adicional de risco de vida de 9%, com pagamento em três parcelas iguais de 3% neste e nos próximos dois anos.
O SEEVISSP argumenta, no entanto, que os sindicatos que acataram esse acordo abriram mão da jornada de trabalho de 8 horas diárias e tiveram que aderir a 12 horas por turno de trabalho. Também teriam tido prejuízos no seguro de vida e na multa em caso de atraso no pagamento da rescisão do contrato de trabalho. Amanhã às 8h a categoria deverá se reunir novamente em frente à Câmara Municipal de São Paulo para organização de novos piquetes.
Segundo a assessoria de imprensa do sindicato patronal, a discussão será resolvida agora no Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-SP), onde já foi feito pedido de julgamento do movimento grevista. Além dos trabalhadores paulistanos, estão sem acordo ainda os sindicatos das cidades de Barretos, Guaratinguetá, Guarulhos, Mogi das Cruzes, Osasco, Presidente Prudente, Ribeirão Preto e São José dos Campos.
(Bianca Ribeiro | Valor Online)