BRASÍLIA - No acumulado de 12 meses até hoje, as remessas de lucros e dividendos somaram US$ 29,619 bilhões, o patamar mais elevado para o período na série histórica iniciada pelo Banco Central (BC) em 1947. Somente neste mês, essas saídas já atingem US$ 2,9 bilhões até hoje, depois de fechar abril com US$ 3,696 bilhões e acumular US$ 12,358 bilhões no primeiro quadrimestre do ano.
As remessas de lucros vêm registrando sucessivos recordes. Em março foi verificado o maior fluxo mensal já observado pela autoridade monetária, com US$ 4,345 bilhões. No trimestre, o volume somou US$ 8,662 bilhões, outro recorde para o período.
O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, explica o movimento como consequência da elevação dos investimentos estrangeiros no país, que acumularam em 12 meses a cifra de US$ 37,219 bilhões ou 2,75% do PIB até abril. O aumento na lucratividade das multinacionais instaladas no país gera lucros maiores e, portanto, remessas mais volumosas.
Pesa neste desempenho também a valorização do real frente ao dólar americano, adicionando-se ainda a necessidade das matrizes no exterior, em dificuldades de liquidez por consequência da crise do crédito imobiliário de risco americano (subprime).
Os setores que mais recebem investimentos diretos e registram maior rentabilidade, têm remetido recursos para cobrir dificuldades de suas matrizes com a volatilidade externa, afirmou Lopes, citando os bancos e as montadoras de veículos.
Mas tais remessas afetam a conta global do país com o exterior, chamada de conta corrente, que em 12 meses até abril estava deficitária em US$ 14,6 bilhões ou 1,08% do PIB.
Por outro lado, o Brasil também registra volume recorde no ingresso de receitas decorrentes das elevadas reservas internacionais. Nos 12 meses até hoje, somaram US$ 7,301 bilhões.
Já o pagamento de juros das dívidas privada e pública externas totalizou US$ 6,205 bilhões na mesma base de comparação, o menor patamar desde os 12 meses acumulados até março de 1995, quando essa conta ficou em US$ 5,695 bilhões. Neste mês de maio as remessas líquidas de juros somam US$ 300 milhões até hoje, enquanto no mês de abril ficaram em US$ 348 milhões
(Azelma Rodrigues | Valor Online)