26/05 - 12:16, atualizada às 13:12 26/05 - Felipe Leal, repórter Último Segundo
RIO DE JANEIRO - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu hoje a política econômica de seu governo e voltou a dizer que o País não deve sofrer muito com a crise nos mercados internacionais.
Lula disse que o Brasil vem fazendo o que deve ser feito, "com seriedade". "Crescemos 5,4% no ano passado. Nesse momento, nossa economia cresce a um ritmo de 5% ao ano. Podemos sofrer algumas conseqüências da crise internacional, mas estou convencido de que agora trilhamos um caminho sustentável."
"Aprendemos duramente o valor de manter a moeda estável de modo a garantir sobretudo o poder aquisitivo dos mais pobres", disse Lula.
O presidente mandou ainda um recado aos economistas que, segundo ele, duvidaram da política econômica. "Por que é tão complicado reconhecer que as coisas estão dando certo no nosso País? E é bom q de certo, que os empresários ganhem mais, é bom que a riqueza cresça. Os economistas erraram e erraram muito." Lula disse que há economistas que elogiam a política monetaria, mas sempre colocam um "mas, porém, entretanto".
Saúde
Lula disse que, com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a saúde no País foi prejudicada. "Com o fim da CPMF, no País quem perdeu foi o PAC [Programa de Aceleração do Crescimento] da Saúde. Porque tira do governo R$ 40 bilhões. Não vi nenhum produto com o preço reduzido com o fim da CPMF", disse o presidente.
Na semana passada, a imprensa noticiou que o governo pensava em criar uma nova contribuição, com alíquota de 0,10%, cuja arrecadação seria direcionada à Saúde. Mas ministros de Lula desmentiram que o governo vá participar da criação do novo tributo. Uma possibilidade é que a base aliada no Congresso vá patrocinar a proposta.
O debate veio à tona porque os deputados querem aprovar o projeto de lei complementar que regulamenta a Emenda Constitucional nº 29, que amplia o volume de recursos a serem repassados pela União para a Saúde. Lula teria dito a ministros que vetaria a regulamentação da Emenda nº 29 caso o Congresso não aponte uma fonte de recursos.
Crise
Lula também voltou a falar hoje sobre a crise nos mercados, iniciada com os problemas no mercado imobiliário e as perdas com as chamadas hipotecas "subprime" nos Estados Unidos, e aproveitou para criticar os subsídios agrícolas de países desenvolvidos.
"A crise atual mostra que nos países ricos também tem muita coisa que precisa ser acertada. Afinal ela foi produzida pelos seus desarranjos", disse o presidente.
Lula disse que há vários países em desenvolvimento que estão crescendo a um ritmo mais vigoroso do que as economias tradicionais. com isso "o elevador social começa a funcionar. Hoje há mais chineses, indianos, africanos e latino-americanos comendo. Há mais brasileiros comendo também, o que é muito bom e felizmente não tem volta".
"Não há o menor sentido que os EUA e a Europa continuem com suas políticas restritivas no campo da agricultura. Os subsídios e o protecionismo agrícola colocam obstáculos no caminho da rodada de Doha e são os principias fatores que estimulam a inflação mundial de alimento."
Lula disse ainda que "a barreira protecionista que se ergue em favor dos produtores das nações ricas, na verdade, é um muro inaceitável. Um muro de indiferenças que as nações desenvolvidas erguem para perpetuar a miséria nas nações pobres em desenvolvimento".
O presidente participou da abertura do 20º Fórum Nacional do Instituto Nacional de Altos Estudos (INAE), no Rio de Janeiro (RJ).
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