21/05 - 16:40, atualizada às 18:14 21/05 - Reuters
SÃO PAULO - A Bovespa fechou hoje em queda, depois de quatro fechamentos recordes sucessivos. O recuo dos estoques de petróleo nos Estados Unidos ampliou a alta dos preços da commodity, que registraram novos níveis inéditos, acima de US$ 133 por barril. Já o dólar fechou em alta seguindo o mau humor externo após a divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed - Banco Central dos EUA) em dia de poucos negócios antes de feriado.
O Ibovespa, principal índice, encerrou o pregão em baixa de 1,66%, aos 72.294,8 pontos. Oscilou entre os 72.150 pontos (-1,86%) e os 73.780 pontos (+0,36), nova máxima histórica. Com o resultado de hoje, os ganhos acumulados em maio diminuíram a 6,52%, e os do ano, a 13,16%. O volume financeiro totalizou R$ 7,56 bilhões, dos quais R$ 1,807 bilhão foi movimentado apenas pelas ações preferenciais (PN) da Petrobras.
Até a ata do Fed, às 15 horas, as bolsas registravam perdas, mas contidas. Depois que o BC americano sinalizou que o ciclo de cortes na taxa básica de juros do país parece ter chegado ao fim, a queda foi ampliada.
Os analistas até esperavam que isso pudesse acontecer, mas o que azedou os humores foi que o ciclo de cortes deve parar não porque a economia se recuperou da crise, mas porque a inflação é motivo de preocupação. Junto com a ata, o Fed divulgou revisões em suas projeções para o crescimento econômico, a inflação e o desemprego. A previsão atual é de que o PIB cresça entre 0,3% e 1,2% neste ano (contra projeção entre 1,3% e 2%, feita em janeiro). A estimativa de desemprego no ano foi elevada, assim como a de preços ao consumidor.
Para a previsão de inflação, o petróleo é um dos principais vilões. A commodity trabalhou o dia todo pressionada por causa dos estoques fracos divulgados hoje nos EUA. No fechamento, o petróleo subiu 3,25% em Nova York, para o recorde de US$ 133,17 por barril. Nas bolsas de valores americanas, o índice Dow Jones fechou em baixa de 1,77%, o Nasdaq também caiu 1,77% e o S&P teve perda de 1,61%.
As ações da Petrobras, mais uma vez, foram beneficiadas da alta do petróleo e serviram para equilibrar as perdas do Ibovespa. Petrobras ON subiu 1,30% e Petrobras PN, 1,65%. Os papéis ainda avançaram na esteira do relatório do banco Credit Suisse elevando o preço-alvo das ações da estatal, divulgado ontem, e com a expectativa de um novo campo de petróleo no Espírito Santo, perfurado em parceria com a portuguesa Galp (as ações dessa empresa subiram 5% na Bolsa de Lisboa com a notícia).
Dólar
A moeda norte-americana encerrou o pregão a R$ 1,659, uma valorização de 0,55%. O dólar passou grande parte do dia operando perto da estabilidade, em sessão marcada por poucos negócios antes do feriado nacional de Corpus Christi.
'O volume não está grande, principalmente por causa do feriado', afirmou Mário Battistel, gerente da Fair Corretora.
Segundo Battistel, o mercado cambial operou puxado por duas forças contrárias nesta quarta-feira, o movimento do dólar frente a uma cesta de moedas e a queda dos principais índices acionários.
Porém na última hora de negócios, após a divulgação da ata da última reunião do Comitê Federal de Mercado Aberto do Fed, mostrando que o corte de 0,25 ponto percentual veio após decisão apertada e uma maior preocupação com a inflação, o cenário externo se deteriorou e impulsionou a cotação da divisa norte-americana frente ao real.
Marcos Forgione, analista da Hencorp Commcor Corretora, lembrou que o ambiente internacional é de tensão 'com o petróleo acima de 130 gerando um problema de inflação no mundo inteiro'.
Na parte da manhã, o BC realizou um leilão de compra de dólares no mercado à vista, definindo a taxa de corte a R$ 1,6488.
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