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Miguel Jorge: acordo para TV digital era 'blablablá'

20/05 - 14:51 - Agência Estado

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, colocou hoje um ponto final na expectativa de empresas japonesas instalarem no Brasil uma fábrica de semicondutores como contrapartida à escolha do padrão japonês de TV digital. De acordo com o ministro, o governo continua trabalhando para ter uma fábrica dessas, mas as negociações não envolvem mais a TV digital.

O documento assinado em 2006 entre os governos do Brasil e do Japão não chegou, segundo Miguel Jorge, a ser nem um memorando de entendimentos. "Era mais blablablá", afirmou o ministro, após participar, em Brasília, do "Fórum Executivo sobre Circuitos Integrados".

Na época, o governo brasileiro apresentou como principal exigência para a escolha do padrão japonês a construção da fábrica de semicondutores no País, com investimentos de empresas japonesas, mas até agora nenhum projeto foi levado adiante.

Documento

Para tratar da escolha do padrão japonês, uma delegação brasileira foi em 2006 ao Japão, liderada pelos ministros das Comunicações, Hélio Costa, e das Relações Exteriores, Celso Amorim. Na oportunidade, foram assinados vários documentos, inclusive um compromisso de se discutir a instalação da fábrica.

"Eu vi esse documento. Eu nem chamaria de documento de intenções. Pelo que eu li, ele não chegava nem a ser um memorando de entendimento", disse Miguel Jorge, depois de participar do Fórum Executivo em Circuitos Integrados. "Era uma coisa, muito assim, de que estava disposto a estudar. Para ser muito franco, era mais blablablá. Acredito que era o que era possível negociar naquele momento", acrescentou.

Empresas

Segundo ele, a TV digital já é uma realidade no Brasil e não é possível mais exigir contrapartidas. Jorge disse que o Ministério do Desenvolvimento vem realizando desde o ano passado um trabalho para atrair empresas de semicondutores. "Mas essas conversas são muito fechadas e nós não podemos adiantar nada", afirmou.

Ele disse que diferentemente de três anos atrás, quando se intensificaram as negociações para a escolha da TV digital, o Brasil hoje tem um ambiente econômico mais favorável. "A economia mudou, temos mais estabilidade e crescimento econômico mais vigoroso", afirmou. Esse cenário, na avaliação do ministro, é mais atrativo para um projeto como esse. Sem dar muitos detalhes, ele disse que as negociações envolvem empresas do Japão, dos Estados Unidos e de Taiwan.




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