19/05 - 14:31, atualizada às 16:30 19/05 - Rodrigo Ledo – Último Segundo/Santafé Idéias
BRASÍLIA – O consórcio liderado pela franco-belga Suez, Energia Sustentável do Brasil, venceu a única concorrente, a Jirau Energia, e terá o direito de construir e operar a Usina Hidrelétrica de Jirau, em Rondônia, segundo empreendimento energético do Complexo do Rio Madeira. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) realizou sob forte esquema de segurança, na tarde desta segunda-feira, o leilão da Usina Hidrelétrica de Jirau.
O consórcio venceu com o valor de R$ 71,40 megawatts hora, um deságio de 21,53%. O edital do leilão previa que o megawatt hora não poderia custar mais que R$ 91.
Segundo o presidente do consórcio, Victor-Frank Paranhos, foi possível atingir o preço vitorioso graças a um planejamento que barateou o projeto da usina. "Somente as mudanças no projeto original, por exemplo, possibilitarão a redução de R$ 1 bilhão no custo da obra civil", afirmou Paranhas.
Outro ponto importante ressaltado pelo executivo foi o adiantamento em cerca de um ano do início das operações da usina, de 2013 para março de 2012. O presidente do consórcio vencedor acrescentou que "a meta é iniciar a construção o mais rápido possível, logo após a emissão da licença de instalação".
Agora, cabe à Energia Sustentável do Brasil definir o percentual de energia que será destinado ao Ambiente de Contratação Regulada (ACR) - no mínimo 70% - e o que será negociado no mercado livre.
Não houve protesto, mas a Aneel reforçou o esquema de segurança com ajuda da Polícia Militar na sua sede em Brasília, onde aconteceu o leilão. No primeiro leilão do Complexo, da Usina de Santo Antônio, manifestantes de duas organizações não-governamentais promoveram uma tentativa de invasão do prédio.
Marina Silva
O leilão abriu definitivamente a fronteira amazônica para a construção de grandes empreendimentos energéticos na região. A derrota da ex-ministra Marina Silva na disputa com a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rosseuf, em torno das licenças ambientais para as hidrelétricas do rio Madeira foi um dos motivos que levaram Marina a sair do cargo.
A estimativa da Empresa de Pesquisa Energética é de que obras demandem um investimento total de R$ 8,7 bilhões. Somente o leilão envolve gastos aproximados de R$ 1 milhão. A capacidade de Jirau é de 3,3 mil megawatts.
Custos do leilão
O custo de realização do leilão está calculado em aproximadamente R$ 1 milhão. Envolve gastos com aperfeiçoamento de sistemas, aluguel de serviços, contratação de empresa privada de segurança e compra de materiais.
O presidente da Comissão Especial de Licitação da Aneel, Hélvio Guerra, disse, no entanto, que os gastos são pequenos ante a importância estratégica do projeto para o abastecimento de energia no País.
“Para o sistema elétrico [a obra] é fundamental. Junto com a [capacidade da Usina] de Santo Antônio é quase [a capacidade de] meia [Usina de] Itaipu. Então o custo do leilão é inexpressivo pela energia que estará no Sistema Interligado Nacional para ser distribuída ao país inteiro. Não vai atender exclusivamente a Região Norte”, ressaltou Guerra.
Consórcios
O consórcio Energia Sustentável do Brasil é liderado pela franco-belga Suez (50,1%), além de Camargo Corrêa Investimentos em Infra-Estrutura (9,9%), Eletrosul Centrais Elétricas (20%) e Companhia Hidro Elétrica do São Francisco - Chesf (20%).
O consórcio Jirau Energia é composto por Odebrecht Investimentos em Infra-Estrutura (17,6%), Construtora Norberto Odebrecht S/A (1%), Andrade Gutierrez Participações S/A (12,4%), Cemig Geração e Transmissão S/A (10%), Furnas Centrais Elétricas (39%) e o Fundo de Investimentos em Participações Amazônia Energia (20%) - do qual participam os bancos Banif e Santander.
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