19/05 - 09:49, atualizada às 10:07 19/05 - Agência Estado
O dólar à vista abriu em alta de 0,06% hoje, cotado a R$ 1,642 na Bolsa de Mercadorias & Futuros (BM&F). Na última sexta-feira (dia 16), a moeda americana fechou em baixa de 0,82%, a R$ 1,641.
Com o cenário externo tranqüilo e a agenda fraca de indicadores econômicos programados para o dia nos Estados Unidos, resultando em mercados em tom mais ameno hoje, as atenções dos investidores voltam-se para o ambiente doméstico. Os destaques ainda são a inflação interna e as expectativas de mais uma elevação da nota de risco de crédito (rating) do Brasil por uma outra agência de classificação de risco. A novidade, porém, é o comentário sobre a proposta para a volta da CPMF.
A proposta prevê a volta de uma contribuição sobre movimentações financeiras, agora com alíquota de 0,08% para financiar as despesas com a área de saúde. O assunto será levado hoje ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ministro de Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, na reunião da Coordenação Política. A proposta do governo é vista pela oposição como tentativa de evitar a votação na Câmara da Emenda 29, que eleva os gastos na Saúde.
Depois de ter alcançado novas mínimas em nove anos, na sessão da última sexta-feira (dia 16), ao encerrar os negócios a R$ 1,641, o dólar pode buscar um ajuste de alta na abertura das transações hoje. O maior combustível para essa perspectiva é o possível ressurgimento da CPMF. "O assunto já estava resolvido e, de repente, volta à tona", disse um especialista, acrescentando que esse tipo de vaivém típico do Brasil gera insegurança aos mercados.
O outro fator de tensão é a inflação, que continua alta e aumenta as apostas para uma nova elevação da taxa básica de juros, a Selic, na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), no mês que vem. Agora as apostas estão entre uma elevação de 0,50 ponto porcentual e 0,75 ponto. Atualmente, a Selic está em 11,75% ao ano.
Se de um lado os agentes econômicos recebem negativamente a discussão sobre a CPMF, de outro, comemoram as perspectivas de elevação do superávit primário (economia que o governo faz para pagamento de juros da dívida). Isso elevaria a pressão sobre a inflação, da maneira que o mercado mais gosta, por meio do ajuste das contas públicas.
Ainda que se espere um ajuste de alta do dólar na abertura, o mercado continua apostando na tendência de queda. De concreto, os especialistas visualizam a retomada das captações externas após a obtenção do grau de investimento pela agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) e a possibilidade da arbitragem de juros entre o Brasil e o exterior, que também aumenta a perspectiva de fluxo positivo.
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