Por Raymond Colitt BRASÍLIA (Reuters) - Os Estados Unidos vão respeitar as reivindicações marítimas do Brasil, inclusive nas reservas petrolíferas de alto-mar, e usarão a sua nova frota na América Latina principalmente para objetivos pacíficos, disse na quinta-feira o comandante dos EUA para a região.
O presidente da Agência Nacional do Petróleo, Haroldo Lima, se disse na quarta-feira preocupado com a possibilidade de os EUA contestarem a posse brasileira sobre as enormes reservas petrolíferas na chamada zona econômica exclusiva.
'Os Estados Unidos vão respeitar os mares territoriais e as zonas econômicas exclusivas das nações do mundo', declarou o almirante James Stavridis, chefe do recém-criado Comando Sul dos EUA, a jornalistas em Brasília.
A Convenção da ONU sobre a Lei do Mar, de 1994, diz que os Estados litorâneos têm direitos exclusivos sobre todos os recursos naturais do seu litoral numa faixa de até 200 milhas (370 quilômetros).
A Quarta Frota dos EUA, que está sendo recriada pela Marinha após um hiato de 58 anos, ajudará a combater o narcotráfico na América Latina e no Caribe, disse Stavridis ao final de uma conferência sobre defesa.
Mas isso, segundo ele, não significa uma intensificação nas operações contra o tráfico. 'Não é de forma nenhuma uma força ofensiva', afirmou.
Admitindo que essa frota é 'objeto de preocupação' na região, o almirante disse que ela em geral dará apoio a missões de paz, prestará auxílio humanitário e participará de exercícios navais.
'O maior navio que vai trabalhar para a Quarta Frota é um navio-hospital', disse Stavridis.
O almirante brasileiro Marcos Martins Torres disse que o Brasil não está preocupado com a nova frota.