13/05 - 11:50, atualizada às 13:13 13/05 - Redação com agências
BRASÍLIA - O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, sinalizou há pouco que o atual ciclo de alta na taxa de juros será curto. Meirelles citou que a economia brasileira vive hoje uma dinâmica diferente de outras ocasiões no passado em que ocorreram ciclos de elevação de juros (2001, 2002 e 2004).
"Hoje, a economia mais estabilizada faz com que esse ciclo tenha outra amplitude, indicando uma escala menor e também um patamar menor", comentou. "Estamos caminhando para a normalidade", disse o presidente do BC na introdução de sua audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, onde presta conta das ações trimestrais da autoridade monetária.
Ele justificou aos senadores que a elevação de 0,5 ponto percentual na Selic, para 11,75%, em abril, foi necessária. "Existe uma tendência subjacente de crescimento da inflação no Brasil e é importante que o Banco Central passe a mensagem de que está tomando medidas, olhando à frente", observou.
Meirelles mencionou que, "mesmo com a exclusão de alimentos", os índices de variação de preços no atacado estão subindo no acumulado em 12 meses. Ele afirmou que houve um aumento nas expectativas dos agentes econômicos para a inflação em 2008, em que a maioria agora está apostando que ficará em torno de 5%. Para 2009, continuou Meirelles, as expectativas ainda estão ao redor da meta de 4,5%.
"Portanto, é importante que o Banco Central tome medidas a tempo e a hora, olhando à frente, para continuarmos o crescimento econômico. A demanda doméstica está crescendo muito bem."
Meirelles afirmou que há um processo de aceleração inflacionária em diversos países do mundo. Ele destacou que os índices de preços têm subido mesmo em países com taxas de inflação mais baixas e que isso tem sido motivo para elevar as taxas básicas de juros em uma série de nações.
O presidente do BC destacou que a atual crise financeira internacional tem imposto maiores perdas ao sistema financeiro, na comparação com crises anteriores na economia global. Ele observou que por conta dessa crise tem havido um aumento do risco de crédito, tanto nos EUA como na União Européia e no Reino Unido. Mas ele ressaltou que, diferentemente do que aconteceu no passado, o risco Brasil tem ficado "relativamente estável", a despeito do aumento do índice de aversão ao risco.
Ele destacou também o desempenho da Bolsa de Valores brasileira superior a uma série de instituições similares de países do mundo e da América Latina. "Isso reflete a maior solidez da economia e uma trajetória de inflação coerente com a trajetória de metas", afirmou Meirelles, que ressaltou ainda a importância de os investidores perceberem que há capacidade de crescimento da economia além dos fundamentos sólidos.
Estabilidade
Meirelles afirmou que a estabilidade econômica vista atualmente no Brasil reduz a amplitude dos ciclos de aperto monetário, como o iniciado no mês passado pelo BC. "No passado, os ciclos de aperto eram diferentes. Mas hoje, com a economia estabilizada, a necessidade de aperto monetário tem outra amplitude. A escala é menor e o patamar é menor", afirmou.
Aos senadores, Meirelles apresentou a evolução da taxa Selic desde 2001 e, em um gráfico, apontou os momentos de aumento de juros desde então, que, em algumas das situações, registraram elevações da Selic de mais de 5 pontos porcentuais num ciclo. "Hoje estamos caminhando para a normalidade. Isso é uma boa notícia."
Meirelles também avaliou que, apesar da tendência de alta dos juros futuros observada nos últimos meses, o patamar dessas taxas está em níveis "historicamente baixos".
Investimento estrangeiro
O presidente do BC afirmou que trabalha com um cenário de investimento estrangeiro direto (IED) no País da ordem de US$ 35 bilhões por ano. Ele não explicou a razão desse número, que é superior à projeção do próprio BC, de US$ 32 bilhões.
Meirelles também previu um fluxo financeiro de dólares positivo este ano, mas o fluxo comercial ainda será significativamente superior, repetindo o padrão dos últimos anos. Ele destacou que as importações têm subido fortemente nos últimos tempos, refletindo a aceleração da demanda doméstica. Mas ele enfatizou o desempenho favorável das exportações, sobretudo no período de 2002 a 2007, em que as vendas dos produtos brasileiros cresceu 173% acima da média mundial.
Meirelles afirmou ainda que as exportações brasileiras são diversificadas, tanto em termos de produtos como de mercados. Meirelles avaliou que o processo de enfraquecimento do dólar é mundial, e reflete questões estruturais da economia americana, como o elevado déficit em conta corrente dos EUA. Mas ressaltou que, quando se compara o real com o euro, há uma relativa estabilidade da taxa de câmbio.
Com informações da Agência Estado e do Valor Online
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