09/05 - 08:25, atualizada às 09:00 09/05 - Agência Estado
Buenos Aires - Pecuaristas argentinos retomaram ontem o locaute suspenso no fim de março e fizeram piquetes em estradas nas Províncias de Buenos Aires, Santa Fe, Córdoba e Entre Ríos, onde está a maior parte da produção agropecuária do país. O movimento afeta o comércio com o Brasil, já que a Rodovia do Mercosul também foi bloqueada.
O protesto é contra o aumento de impostos de exportação. Os produtores também exigem o fim dos impostos móveis (que oscilam de acordo com o preço internacional dos produtos) e o fim das restrições para as exportações de carne e trigo. Em março, os agricultores fizeram uma paralisação de 21 dias. O governo se recusou a revogar as medidas.
Os piqueteiros estão permitindo a passagem de caminhões carregados com carne e alimentos processados. O tráfego de caminhões com cereais para exportação está sendo bloqueado. Segundo os produtores, os protestos vão se prolongar até quinta-feira da próxima semana. Nesse dia, as lideranças da Sociedade Rural, Federação Agrária, Confederações Rurais Argentinas (CRA) e Coninagro definirão se manterão o locaute.
Alfredo de Angeli, líder local da Federação Agrária, disse que a Rodovia do Mercosul também será bloqueada para os caminhões brasileiros com produtos agrícolas. "Já que vamos impedir as exportações argentinas, também vamos deter as importações. Vamos fazer isso para que o governo não diga que estamos perturbando a balança comercial", disse ele.
O plano dos pecuaristas é pressionar a presidente Cristina Kirchner. Os especialistas sustentam que em oito dias de paralisação o governo poderia perder US$ 254 milhões em arrecadação tributária. Cristina fez ontem duras críticas ao produtores. Sem citá-los diretamente, referiu-se a eles com "essa minoria egoísta, sem solidariedade, que nunca entenderá o resto do país". Em tom de advertência, arrematou: "Tenho capacidade para agüentar por muito tempo e essa capacidade não é de agora". As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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