07/05 - 09:23, atualizada às 10:46 07/05 - Agência Estado
O presidente da empresa de engenharia francesa Alstom, Patrik Kron, se contradisse sobre as suspeitas de que a empresa teria pago propinas para garantir contratos em vários países, entre eles o Brasil. "Estamos cooperando com as investigações", afirmou Kron em uma conferência com investidores hoje de manhã em Paris. Mas em seguida afirmou: "não tenho idéia do que se trata tudo isso".
A Alstom está sendo investigada na Suíça e na França por supostamente ter pago propina para garantir os contratos em obras como a expansão do metrô de São Paulo e hidrelétrica em Santa Catarina. Pessoas ligadas à multinacional estão sob investigação por corrupção e lavagem de dinheiro em obras em várias partes do mundo. O Ministério Público suíço confirmou a investigação, que surgiu de um relatório da consultoria KPMG. A Alstom deixou claro que não existe nenhum caso aberto contra ela e que as pessoas citadas não têm contato com a empresa desde 2001.
"O Ministério Público (da Suíça) está conduzindo uma investigação com sua polícia judicial sobre pessoas que pertencem ao grupo francês Alstom por corrupção, lavagem de dinheiro e outros delitos que teriam sido praticados na aquisição de contratos de infra-estrutura na América do Sul e Ásia", afirmou Walburga Bur, chefe de comunicação do Ministério Público da Suíça.
"Não toleramos essas práticas em nossa empresa. E isso por várias razões: a primeira é ética. Mas também para preservar a nossa reputação, que faremos de tudo para defender", afirmou Kron. Apesar de dizer que não sabe do que se trata, o executivo aponta que "vai continuar a colaborar" com a Justiça. "São velhas histórias sobre pessoas que não têm relação com a empresa ou que a deixaram há anos", afirmou.
Contatos entre os suíços e os procuradores brasileiros também ocorreram nos últimos meses para tentar reconstituir o percurso do dinheiro que teria sido pago para garantir contratos. Um brasileiro estaria na lista de 24 suspeitos pelos crimes envolvendo a empresa. Por enquanto, porém, as autoridades suíças se recusam a dar informações sobre quem seriam as pessoas. As suspeitas seriam de que pessoas ligadas à Alstom teriam separado milhões de euros para usar como propina para garantir contratos internacionais. Esse dinheiro estaria em empresas laranja criadas na Suíça e Liechtenstein, dois paraísos fiscais. No caso de Liechtenstein, até mesmo os nomes dos acionistas e do dono da empresa registrada podem ser mantido em sigilo absoluto.
Esse dinheiro seria enviado a pessoas da Alstom na Ásia - Indonésia e Cingapura - além de Brasil e Venezuela. Segundo a edição de ontem do jornal "Wall Street Journal", esse dinheiro viajaria em pacotes com notas de US$ 100.
No Brasil, o "WSJ" diz que a investigação aponta que um orçamento de US$ 200 milhões foi identificado para pagar comissões de 15% e garantir que um contrato fosse assinado para a construção de uma hidrelétrica em 2001. Trata-se da hidrelétrica de US$ 1,4 bilhão de Itá, entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Os documentos apontam que metade das comissões teria terminado em contas em bancos fora do País.
Outra obra suspeita seria a do metrô de São Paulo. Para conseguir o contrato de US$ 45 milhões, a empresa teria pago propinas de US$ 6,8 milhões para autoridades. Os suíços querem do Brasil agora uma ajuda para identificar 24 países que teriam participado do esquema. Um deles seria até mesmo um representante de um político. O documento aponta que esse intermediário garantiria apoio político para a empresa na concorrência. O preço seria de 7,5% do valor do contrato do metrô.
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