RIO - A demora de assembléias legislativas e câmaras de vereadores em aprovar o orçamento anual contribuiu para o aumento de 55,2% na Provisão de Devedores Duvidosos (PDD) da Oi no primeiro trimestre, na comparação com igual período do ano passado. Nos três primeiros meses deste ano, o valor foi de R$ 222 milhões, 36,1% superior aos R$ 163 milhões registrados no quarto trimestre de 2007.
Para o diretor de Finanças e Relações com Investidores da Oi, José Luís Salazar, o PDD deve ser motivo de atenção por parte da empresa, embora não no sentido de que é um problema ou de que está fora do que havia sido previsto.
A gente teve um primeiro trimestre afetado por algumas negociações, principalmente com governos estaduais e municipais, onde as assembléias legislativas e câmaras de vereadores demoraram a aprovar os respectivos orçamentos. Sem os orçamentos, os governos não podem empenhar as suas verbas e sem o empenho das suas verbas eles não podem pagar as suas despesas, frisou Salazar durante teleconferência com analistas, acrescentando que a expectativa é de melhorar esse indicador ao longo do ano.
O executivo explicou que a política de crédito mais flexível também contribuiu para o crescimento do PDD. A partir do momento em que você vem mergulhando na pirâmide social e captando cada vez mais clientes nas classes menos abonadas, sem dúvida nenhuma, apesar desse cliente ser marginalmente positivo para a companhia, ele traz um custo maior de 'bad debts', ponderou.
A Oi apurou lucro líquido de R$ 486 milhões, 41,7% superior ao registrado no primeiro trimestre do ano passado. O resultado foi divulgado na sexta-feira.
O lucro operacional antes de juros, impostos, depreciação e amortizações (lajida) subiu de R$ 1,4 bilhão para R$ 1,6 bilhão entre os três meses iniciais de 2007 e igual período de 2008. Como proporção da receita líquida, houve aumento de três pontos percentuais nessa mesma base de comparação: a margem ficou em 36,7% no intervalo mais recente.
Salazar evitou fazer projeções para os próximos trimestres, mas observou que não há motivos para uma queda. A gente vem trabalhando para melhorar a rentabilidade da [operação de telefonia] móvel e segurar os custos da [unidade de telefonia] fixa, afirmou.
Salazar afirmou ainda que a companhia espera iniciar a operação do sistema de telefonia móvel 3G na sua área de atuação ainda neste segundo trimestre. Em São Paulo, a expectativa é de que as operações 2G e 3G comecem no segundo semestre.
Enquanto isso, investimos em infra-estrutura e rede na região, disse Salazar.
(Rafael Rosas | Valor Online e Talita Moreira | Valor Econômico para o Valor Online)