05/05 - 12:21, atualizada às 15:17 05/05 - Agência Estado
A Eletropaulo vai trocar os medidores mecânicos de energia por modelos eletrônicos, mais precisos, até 2013. Com isso, a conta de luz ficará mais cara, já que a mudança deverá criar uma tarifa a mais: a da energia reativa.
Grandes consumidores, como indústrias, já pagam essa tarifa. A cobrança para pequenos consumidores foi autorizada em 2001 pela Aneel, com a publicação da Resolução 456/01.
A troca dos medidores já começou pelo pequeno comércio, indústrias de pequeno porte, condomínios e prédios comerciais, que produzem mais energia reativa (ER) do que as residências. O modelo da conta de energia também muda com o novo medidor, com a adição de novas informações. A Eletropaulo garante que só começará a cobrar a ER depois de três meses de medições digitais.
José Carlos Reis, gerente de Gestão de Recebíveis da Eletropaulo, afirma que as residências dificilmente serão tarifadas. "Os pequenos consumidores não devem pagar pela energia reativa", diz.
Mas o engenheiro Luiz Carlos Pereira da Silva, da Faculdade de Engenharia Elétrica e de Computação da Unicamp, acredita que as residências podem, sim, ser tarifadas. "Casas que têm muitos aparelhos podem ultrapassar o limite de energia reativa permitido pela resolução." Nas casas, os aparelhos que contribuem para a produção de energia reativa são geladeira, freezer, máquinas de lavar e secar roupas, motor de piscina e lâmpadas fluorescentes.
Conta mais alta
A padaria Santa Felicidade, do Embu, na Grande São Paulo, teve o medidor trocado no início do ano. Na época, a Eletropaulo enviou uma carta explicando que a troca seria feita para que as medições fossem mais precisas, mas Antonio Pires, proprietário, não recebeu esclarecimentos sobre a cobrança da energia reativa. "Estou ouvindo falar sobre isso agora. Nem sabia que já estava pagando por ela." A mudança resultou em aumento de 5% na conta: em abril, R$ 105 de uma conta de R$ 2,1 mil era de energia reativa.
O síndico José Otávio de Souza também recebeu um comunicando sobre a troca do equipamento de medição de consumo no condomínio onde mora e, mas não deu muita atenção. "O comunicado dizia que a substituição do medidor será feita por outro mais moderno com capacidade para medir a ER que, segundo a carta, é gerada por alguns equipamentos", diz ele.
Mas, ao ligar para a Eletropaulo para saber mais sobre o assunto, tomou um susto. "Disseram que haverá a cobrança de energia reativa, embora a carta nada informava sobre isso e ainda leva a crer que a empresa está nos prestando um serviço, por isso me senti enganado", reclama o síndico. "Acho que estão querendo cobrar por algo que nem sei se existe. Afinal, por que não informaram do que se tratava?"
Para Marcos Pó, assessor técnico do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), é importante que o consumidor seja informado claramente da possibilidade da cobrança da energia reativa, assim como das providências a serem tomadas para diminuir esse custo e o consumo. "O consumidor tem de ter informação clara sobre o assunto. Só uma carta não adianta", afirma. As informações são do Jornal da Tarde/Seu Bolso
*C/ Angela Crespo e Eleni Trindade
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