29/04 - 16:38, atualizada às 16:47 29/04 - Redação com agências
SÃO PAULO - O dólar fechou em alta pela segunda sessão consecutiva nesta terça-feira, seguindo o fluxo de saída da divisa em dia de mau humor nas bolsas.
A moeda norte-americana subiu 0,95%, a R$ 1,705.
O dólar voltou a fechar acima de R$ 1,70 após três semanas abaixo do patamar.
Segundo Mario Battistel, gerente da Fair Corretora, o mercado cambial doméstico está seguindo o movimento do dólar frente a outras moedas no mundo e o cenário pessimista das bolsas.
"Hoje tem a Bolsa realizando bastante, e o dolar está se valorizando frente a várias outras moedas", afirmou o gerente.
A Bovespa operava em queda, enquanto nos Estados Unidos o mercado acionário tinha um desempenho pífio.
No mercado externo, o dólar tinha sua maior alta em quase um mês frente ao euro com expectativas de que o Federal Reserve irá sinalizar o fim do ciclo de cortes no juro norte-americano.
Na quarta-feira, o Fed irá decidir o futuro sobre a taxa básica de juro norte-americana. Os cortes acumulados de 3 pontos percentuais no juro dos Estados Unidos desde meados de setembro do ano anterior têm pressionado o dólar a níveis recordes de baixa.
Para Carlos Alberto Postigo, operador de câmbio do Banco Paulista, a alta da moeda frente ao real nesta terça-feira segue ainda o fluxo negativo iniciado na sessão da véspera, quando o dólar subiu 1,32%.
"Os primeiros negócios foram reflexo do fluxo negativo de ontem... e teve uma grande saída de uma empresas de celulose e papel", disse o operador, lembrando que o dólar encontrou ainda mais espaço para se valorizar com o fraco desempenho das Bolsas.
Na segunda-feira, o Banco Central anunciou que o país registrou em março o maior déficit em transações correntes para o mês da história, de US$ 4,429 bilhões.
De acordo com a autoridade, as remessas de lucros e dividendos para o exterior somaram US$ 4,345 bilhões no mês passado, maior valor mensal já registrado.
Na última hora de negócios o Banco Central realizou em leilão de compra de dólares, definindo a taxa de corte a R$ 1,7073.
Bovespa
O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, aprofundou as perdas nesta tarde, recuando abaixo do nível dos 64 mil pontos, apenas um dia depois de quase bater o primeiro recorde de fechamento do ano. Às 16h30, o índice cedia 2,75%, para os 63.873 pontos.
Ontem, o Ibovespa avançou 0,75% e terminou o dia aos 65.678 pontos, mas durante o pregão ultrapassou os 65.791 pontos registrados no dia 6 de dezembro, pontuação recorde de fechamento.
Nesta tarde, a desvalorização das ações é generalizada: apenas sete papéis da carteira teórica do Ibovespa registram alta. A maior delas corresponde a TAM PN, que avançava 3% por volta do horário citado. Entre as maiores baixas do índice, a liderança ficava com Telemar ON, que perdia 6,60%.
As blue chips (ações de primeira linha) também colaboram para a queda da Bolsa: Petrobras PN cedia 3,76%, Petrobras ON recuava 3,72%, Vale PNA registrava decréscimo de 2,31% e Vale ON caía 1,88%.
As Bolsas de Nova York, por outro lado, operava próximas da estabilidade, não atuando hoje, portanto, como as principais responsáveis pelo desempenho ruim da Bovespa. Por volta do horário citado, o índice Dow Jones caía 0,21%, enquanto o Nasdaq subia 0,20%.
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