As Bolsas de Nova York abriram em baixa hoje, refletindo o prejuízo trimestral do banco alemão Deutsche Bank e as metas de lucro cautelosas da empresa de cartões Visa, que renovaram as preocupações com as instituições financeiras antes da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA), prevista para ser anunciada amanhã à tarde. A rejeição a um medicamento da Merck também pesa no humor dos investidores.
Às 10h34 (de Brasília), o índice Dow Jones caía 0,18%, o S&P 500 cedia 0,24% e o Nasdaq-100 recuava 0,19%.
As ações do Deutsche Bank, maior banco alemão em capitalização de mercado, caíram 1% no pré-mercado em Wall Street com o anúncio de que seu resultado no primeiro trimestre de 2008 foi prejudicado pela piora das condições do mercado e por baixas contábeis. O Deutsche Bank teve prejuízo líquido de 131 milhões de euros (US$ 203,9 milhões), depois da participação dos acionistas minoritários, ante lucro líquido de 2,12 bilhões de euros no mesmo período de 2007. É a primeira perda líquida do banco alemão em cinco anos. O resultado negativo foi provocado por baixas contábeis num total de 2,7 bilhões de euros (US$ 4,20 bilhões).
Já as ações da Visa caíram cerca de 5% no pré-mercado em Nova York, depois que a emissora de cartões de crédito/débito divulgou uma meta de lucro cautelosa, junto com seu relatório de lucro no segundo trimestre fiscal. A instituição definiu meta de crescimento anual da receita de 11% a 15% para os próximos três anos, e crescimento do lucro por ação anual de "20% ou mais". Ontem, a Visa anunciou aumento de 28% no lucro líquido do segundo trimestre fiscal, o primeiro trimestre da empresa como uma companhia de capital aberto, para US$ 314 milhões (US$ 0,39 por ação), em comparação com US$ 246 milhões no mesmo período do ano passado. Analistas estimavam lucro de US$ 0,46 por ação.
Embora as notícias das duas instituições financeiras devam abater os mercados, analistas acreditam que a movimentação será contida antes do dado de confiança do consumidor do Conference Board, previsto para 11 horas (de Brasília), e da reunião de dois dias do Fed. A expectativa é de que o Fed corte o juro em 0,25 ponto porcentual para 2% ao ano. Na opinião de analistas, a grande questão é se a autoridade monetária aproveitará a oportunidade para sugerir que o recente ciclo de cortes, iniciado em setembro do ano passado, será interrompido.
Antes da abertura do pregão regular, o mercado recebeu o índice de preços de moradias nos Estados Unidos Standard & Poor's S&P/Case-Shiller, que mostrou declínio recorde anual de 13,6% em fevereiro no indicador referente a 10 cidades americanas. O índice de preços de residências em 20 cidades caiu 12,7% em fevereiro.
"Parece que a economia precisa de cortes de juro adicionais, mas cada vez que você pega um jornal, você vê a história sobre petróleo, alimentos e inflação", comentou Larry Peruzzi, operador sênior de ações do Boston Co.
Ainda no noticiário corporativo, as ações da farmacêutica Merck caíram 7% no pré-mercado, depois que a Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês) rejeitou o remédio para colesterol Cordaptive, um dos medicamentos da empresa mais promissores em desenvolvimento. As informações são da Dow Jones.