Por Carmen Munari CAMPINAS, São Paulo (Reuters) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta sexta-feira que a alta no preço dos alimentos é passageira e não tem relação com a produção de biocombustíveis.
'A produção de alimentos não foi proporcional à demanda, mas isso não pode ser visto como coisa perigosa, é passageira', afirmou Lula em discurso durante a assinatura do início de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), em Campinas.
O presidente deu como exemplo o feijão no Paraná, mencionando que a seca provocou uma queda de 29 por cento na colheita. 'Mas todo mundo sabe que feijão se colhe em 90 dias', acrescentou, lembrando que este não é o caso do trigo, amplamente importado pelo Brasil.
Segundo o presidente, uma parte do cereal vem da Argentina, que também enfrenta problemas.
'Nós vamos tomar uma posição para produzir mais trigo no Brasil e depender menos da importação de trigo de outros países', sem detalhar as medidas.
Segundo dados do IBGE, o Brasil deve produzir 3,8 milhões de toneladas de trigo em 2008, contra 4,03 milhões de toneladas colhidas em 2007. O país consome por volta de 10 milhões de toneladas de trigo anualmente.
Lula voltou a declarar que o comportamento dos preços dos produtos é decorrente do crescimento no consumo de alimentos, principalmente nos países mais pobres.
Para o presidente, as críticas de países ricos e órgãos multilaterais responsabilizando os biocombustíveis pelo avanço nos preços dos alimentos é decorrente do temor de que o Brasil se transforme em forte produtor de álcool, petróleo e comida.
'Quando o Brasil começa a disputar com eles (países ricos), começa a sair propaganda de que zebu não é gado e que o Brasil produz álcool na Amazônia. Mentiras deslavadas.'
Apesar de defender o cultivo de cana para a produção de álcool, o presidente criticou os EUA por fabricar o combustível a partir do milho, matéria-prima bastante utilizada na indústria alimentícia e de rações para animais.
'Seria muita ignorância se um homem e uma mulher ...
resolvessem deixar de encher o nosso tanque para encher o tanque do carro', brincou Lula.
O Brasil, segundo Lula, tem uma área de 851 milhões de hectares, sendo 400 milhões de hectares agricultáveis.