Buenos Aires, 21 abr (EFE).- O Governo e as maiores entidades agropecuárias da Argentina retomaram hoje negociações para buscar soluções para os conflitos mais urgentes do campo em meio a um clima de crescente tensão.
As patronais agrárias afirmam que, se não alcançarem uma série de acordos básicos com o Governo esta semana, retomarão a greve que paralisou as atividades do setor durante 21 dias e causou desabastecimento de alimentos.
Por outro lado, o ministro da Justiça e Segurança, Aníbal Fernández, disse que em caso de os produtores rurais voltarem a bloquear estradas como forma de protesto as forças de segurança garantirão o tráfego.
Em um encontro realizado no início da manhã, funcionários e líderes do setor agropecuário discutiram sobre a situação do setor de laticínios, que junto com a carne bovina, os grãos e as economias regionais são os pontos mais conflituosos das negociações.
O vice-presidente da Sociedade Rural Argentina, Hugo Biolcati, afirmou que "esta semana" será "o ponto de inflexão" nas negociações com o Governo e disse que caso não se chegue a um acordo na sexta poderiam reiniciar as "medidas de protesto".
"Acreditamos que esta semana podemos destravar isto, que é nossa intenção. Demonstramos isto até a saciedade. Estamos fazendo às vezes o papel de estúpidos, provocados permanentemente e afirmando acreditar no espírito de diálogo", declarou à "Radio Continental".
As quatro maiores associações do campo iniciaram a greve no dia 12 de março, rejeitando o aumento dos impostos à exportação de soja e girassol e regulações governamentais. O movimento foi suspenso em 2 de abril, quando declararam uma "trégua" de um mês de duração para dialogar com o Governo.
Biolcati afirmou que, caso os protestos reiniciem, será necessário se preparar para algo de longa duração, embora tenha deixado claro que os produtores pretendem "organizar bem as coisas" para que "a população não seja afetada".
Na última quinta, o Governo e as patronais do setor agrário chegaram a um acordo para normalizarem o setor de carne, após os dirigentes agropecuários se comprometerem a garantir o abastecimento para que haja uma diminuição de preços de 13 cortes populares em troca do final das restrições para exportar o produto.
No entanto, o secretário de Comércio Interior da Argentina, Guillermo Moreno, confirmou hoje para as autoridades que a exportação de carne seguirá fechada enquanto não caírem os preços do produto para o consumidor local.
Moreno, acusado de "ameaças e pressões" pelos produtores agropecuários, também disse que "está vigente a lei de abastecimento e que é necessário respeitá-la com todo rigor", afirmou o presidente do Mercado de Liniers, Roberto Arancedo.
Entretanto, um fiscal denunciou hoje à Justiça o líder da Federação Agrária de Entre Ríos, Alfredo De Ángelis - que protagonizou um dos mais ferrenhos bloqueios de estradas - por "intimidação pública, aprovisionamento de armas e incitação à violência coletiva".
A apresentação está baseada em declarações de Ángelis publicadas hoje pelo jornal "Crítica", nas quais disse que os produtores estavam "preparados para resistir" com "escopetas e carabinas" a desobstrução pelas forças de segurança do caminho que mantinham bloqueado. EFE hd/fal