21/04 - 19:09, atualizada às 21:11 21/04 - Redação com agências internacionais
O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, confirmou hoje que o Brasil vai mesmo abrir negociações formais para reajustar o preço da energia elétrica de Itaipu comprada do Paraguai. A decisão política está tomada, e, segundo o ministro, o que o governo vai discutir agora com o presidente eleito do Paraguai, Fernando Lugo, "é a maneira de fazer (o reajuste)".
Em entrevista concedida em Acra, capital do Gana, antes de embarcar para o Brasil, Amorim deixou claro que o objetivo das negociações é saber com é que o Paraguai "pode obter uma remuneração adequada para a sua energia. Isso é justo".
O Brasil quer fazer isso, como disseram Amorim e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem reescrever o Tratado de Itaipu. "Não muda o contrato", disse Lula. "Em Itaipu, nós temos um tratado e ele vai se manter", acrescentou o presidente.
O Tratado de Itaipu formalizou a sociedade entre Brasil e Paraguai com a inauguração da usina hidrelétrica em novembro de 1982. Pelo acordo, os dois países dividem igualmente a energia produzida, mas o Paraguai, que só consome 5% da energia recebida, é obrigado a vender ao Brasil os outros 95% restantes da sua cota.
Ano passado, o Brasil pagou US$ 307 milhões pela energia paraguaia de Itaipu, mas Fernando Lugo chegou a falar, durante a campanha eleitoral, em um valor anual "justo" em torno de US$ 2 bilhões.
Lula minimiza tema
Lula afirmou em Gana que o contrato da usina hidrelétrica de Itaipu com o Paraguai será mantido. "Nós temos um tratado, e o tratado vai se manter", disse o presidente a jornalistas.
O contrato da usina hidrelétrica binacional Itaipu foi o ponto central da campanha presidencial no Paraguai. O candidato vencedor, Fernando Lugo, tinha como bandeira a revisão do acordo entre Paraguai e Brasil.
Lula minimizou a importância do tema, frisando que a agenda Brasil-Paraguai vai além da sociedade na hidrelétrica. “Nestes cinco anos de governo, tive umas 20 reuniões com o Paraguai. São muitos os temas, não é só a questão de Itaipu. Temos muito para continuar conversando com o Paraguai”, disse o presidente.

Usina de Itaipu é a maior hidrelétria em geração de energia do mundo / Divulgação
Lugo afirma que pretende conseguir a "soberania hidrelétrica" para o Paraguai. O bispo considera que o Brasil paga muito pouco pela energia que o Paraguai não consome e é repassada ao mercado brasileiro.
O ex-bispo, no entanto, reconheceu que será muito difícil renegociar o Tratado de Itaipu, por causa da forte oposição brasileira. Para reverter essa situação, ele pretende iniciar um "diálogo" com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Fernando Lugo comemora vitória em seu escritório político / Reuters
Usina da discórdia
Itaipu gera em média, por ano, 92.000 Gigawatts-hora (uns 20% da energia elétrica consumida no Brasil). O mercado interno paraguaio tem direito a 50% da energia produzida em Itaipu, mas só absorve 10% (devido ao tamanho pequeno de sua população e economia). O resto é repassado ao Brasil.
Lugo argumenta que o Paraguai recebe pouco mais de US$ 100 milhões por um excedente que seria cotado no mercado a US$ 2 bilhões.
(*Com informações das agências AFP, Reuters e Agência Estado)
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