Nações Unidas, 15 abr (EFE).- A consideração de que a fuga de cérebros dos países do sul para os do norte é um fenômeno desfavorável para o mundo em desenvolvimento é "antiquada" e não leva em conta os benefícios para as nações de origem, assegura nesta terça-feira um relatório da ONU.
O documento, elaborado pelo Instituto Mundial de Pesquisa de Desenvolvimento Econômico da Universidade das Nações Unidas (UNU-WIDER, em inglês), com sede em Helsinque, na Finlândia, ressalta "o impacto positivo no desenvolvimento da mobilidade do talento no mundo globalizado de hoje".
"A idéia de que a mudança de uma pessoa inteligente e com conhecimentos representa uma perda de capital humano para o país de origem ficou antiquada", assegurou o diretor do projeto de pesquisa do UNU-WIDER, Andrés Solimano, em comunicado de imprensa, acrescentando que "a mobilidade do talento pode trazer benefícios tanto ao país de recepção quanto ao de origem".
O relatório afirma que os mesmos especialistas atraídos pelas ofertas das indústrias tecnológicas dos Estados Unidos e da Europa, por exemplo, posteriormente retornam a seus países onde formam empresas nas quais reproduzem o êxito obtido no exterior.
Em suas conclusões, os autores apostam em potencializar a criação de vínculos entre os imigrados e seus países natais que facilitem, depois de um tempo, seu retorno.
Também afirmam que o êxodo de talento é mais uma conseqüência que uma causa da falta de desenvolvimento, e aconselham a adoção de políticas que promovam climas favoráveis à criação de empresas que absorvam estes trabalhadores. EFE jju/mac/db