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Ajuda imediata às populações mais pobres vai custar US$ 500 milhões

11/04 - 13:30, atualizada às 14:09 11/04 - Agência Estado

Para o socorro imediato às populações mais afetadas pela alta dos preços da comida, serão necessários pelo menos US$ 500 milhões. O cálculo é da Organização das Nações Unidas (ONU), e foi citado ontem pelo presidente do Banco Mundial (Bird), Robert Zoellick, em entrevista na sede do Fundo Monetário Internacional (FMI).

 

Zoellick propôs também a expansão dos sistemas de assistência aos pobres, como os programas de transferência de renda e de merenda escolar. Os programas do tipo da Bolsa-Família, aplicados no Brasil e no México, foram citados como exemplos bem-sucedidos.

O Egito, segundo Zoellick, está começando uma experiência semelhante. "Precisamos fazer da agricultura uma prioridade", disse o presidente do Bird, enumerando as idéias para um programa de longo prazo. No próximo ano, o Banco Mundial vai elevar de US$ 450 milhões para US$ 800 milhões a linha de empréstimos para a África Subsaariana.

O Brasil, segundo Zoellick, pode contribuir para o desenvolvimento da agricultura africana partilhando sua experiência em pesquisa agropecuária. Pode contribuir também, acrescentou, trabalhando pela conclusão da Rodada Doha de negociações comerciais e pela redução dos subsídios à agricultura, que distorcem os preços.

Negociador

O currículo de Zoellick inclui uma passagem pelo posto de principal negociador comercial dos Estados Unidos. Nessa posição, ele teve de trabalhar pelos interesses de um dos países que mais subsidiam a agricultura.

O presidente do Bird criticou especialmente as subvenções à produção de biocombustíveis, sem mencionar diretamente o governo americano, que subsidia a produção de álcool de milho. Essa política tem sido apontada como uma das causas do aumento de preços de alimentos.

Zoellick mencionou o Brasil, ao dizer que é preciso distinguir as formas de produção de biocombustíveis. A fabricação do álcool de cana, observou, é eficiente em termos energéticos e não produz efeitos climáticos danosos. O Bird já teve uma posição menos favorável ao programa brasileiro de combustíveis de origem vegetal.

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