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Doha ajudaria Brasil em tempos de incerteza global, dizem EUA

03/04 - 16:47, atualizada às 16:56 03/04 - Reuters

WASHINGTON - O Brasil, assim como os Estados Unidos, está cada vez mais dependente de exportações e de uma economia global forte, o que só reforça a necessidade de se chegar a um acordo sobre a Rodada de Doha na Organização Mundial de Comércio (OMC) este ano, disse na quinta-feira o vice-representante de Comércio dos EUA, John Veroneau.

 

O funcionário afirmou que houve um "progresso tremendo" desde o ano passado na discussão de detalhes sobre o espinhoso tema de acesso a mercado para produtos agrícolas e se mostrou otimista de que um acordo possa sair nos próximos meses.

"Os Estados Unidos não estão sozinhos", disse Veroneau, sobre a necessidade de um acordo, no escritório comercial americano (USTr, na sigla em inglês) durante o Reuters Latin America Investment Summit.

As exportações respondem por 40% do crescimento econômico americano e, num momento de preocupação sobre o crescimento da economia global, a Rodada de Doha oferece uma oportunidade para acrescentar confiança ao comércio e à globalização, disse o funcionário.

"Há uma percepção crescente de que, com as preocupações com a economia global e uma perspetiva de um crescimento mais lento, os ministros se concentrem ainda mais nas oportunidades que significariam dar uma injeção no braço da economia global (com um acordo de Doha)", afirmou.

Veroneau disse que o Brasil e outros países têm feito um "esforço construtivo" para reduzir a quantidade de detalhes a serem negociados nos últimos meses, para facilitar uma possível reunião de ministros de comércio, possivelmente em maio.

"As chances de sucesso aumentam muito se a quantidade de temas for reduzida a um número gerenciável", disse. "Resta saber se os ministros estarão prontos para tomar as decisões difíceis para abrir seus mercados o suficiente."

Esperava-se que uma reunião ministerial pudesse acontecer no final de março ou abril, mas as discussões sobre o delicado tema de corte de tarifas para produtos agrícolas está demorando mais que o esperado.

O diretor da OMC, Pascal Lamy, e o comissário da União Européia para o Comércio, Peter Mandelson, afirmaram nesta quinta-feira que os 151 membros da OMC poderiam chegar a um consenso sobre a negociação em maio.

A Rodada de Doha teve início no final de 2001 com a finalidade de incentivar a economia global e prevê a abertura dos mercados agrícolas nos países ricos por meio da redução de subsídios e tarifas, além do corte de tarifas e a liberalização no setor de serviços e de bens manufaturados em países pobres.

Se os países conseguirem finalizar as negociações na OMC, Veroneau acredita que o acordo poderia ser aprovado pelo Congresso americano, controlado por democratas, que são bem mais desconfiados dos benefícios do livre-comércio que os seus pares republicanos.

"A razão pela qual estamos enfatizando tão vigorosamente um bom acesso a mercados para agricultura, produtos e serviços é porque acreditamos que isso seria importante não só econômica, mas politicamente, para os Estados Unidos e outros países", afirmou.

"Se o resultado de Doha produzir novos fluxos de comércio que sejam significativos, haverá apoio no Congresso para ele", afirmou.

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