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'É agora ou nunca' para Rodada de Doha, diz Zoellick

02/04 - 21:03 - Reuters

Por Lesley Wroughton WASHINGTON (Reuters) - O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou na quarta-feira que é 'agora ou nunca' a oportunidade de alcançar um acordo na Rodada de Doha, lançada em 2001.

Zoellick, ex-negociador de comércio dos EUA, afirmou que o diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), Pascal Lamy, quer realizar uma reunião de ministros dos países membros nas próximas semanas. Ele não deu mais detalhes.

'Esse é o momento de decisão para a Rodada de Doha', disse Zoellick em um texto de discurso em Washington. 'Há um bom acordo na mesa. É agora ou nunca'.

'É um resultado ambicioso: as reduções de tarifas tanto em agricultura quanto em bens industriais serão através de uma fórmula que reduz os números mais altos de maneira mais intensa do se fossem feitas em percentuais diretos; subsídios agrícolas mais altos também serão reduzidos mais profundamente', completou.

O desafio, segundo ele, é equilibrar as reduções progressivas de tarifas com as 'flexibilidades' que oferecem exceções às regras.

'Essas exceções não devem engolir as reduções; onde possível, as flexibilidades devem ainda oferecer perspectivas para ampliar o comércio conforme as economias crescem', disse Zoellick.

Os Estados Unidos e a União Européia enfrentam exigências para realizarem fortes cortes a seus subsídios e tarifas agrícolas, mas querem em troca que importantes países em desenvolvimento, como Índia e Brasil, abram seus mercados.

Os negociadores têm trabalhado em Genebra para tentar realizar uma reunião ministerial em abril ou maio, na esperança de fechar o aguardado acordo.

Para Zoellick, um fator que destaca a necessidade de concluir o acordo é o alto valor dos alimentos, que agrava a falta de produtos, a forma e a desnutrição.

Falando antes de reuniões do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial na próxima semana, ele afirmou que a crise de alimentos exige a atenção de líder políticos em todos os países, já que os preços altos e a volatilidade devem permanecer por algum tempo.

'Precisamos de um novo acordo para a política global de alimentos', disse Zoellick. 'Esse novo acordo deve se concentrar não apenas em fome e subnutrição, acesso a alimentos e sua oferta, mas também nas interconexões com energia, produtividade, mudança climática, investmento, marginalização de mulheres e outros, e recuperação e crescimento econômicos'.

O clima em países produtores e um aumento da demanda dos que têm um desenvolvimento rápido elevaram os preços de alimentos em 80 por cento desde 2005. No mês passado, os preços do arroz atingiram o maior nível em 19 anos; e os do trigo foram ao maior patamar em 28 anos.

VETO

Na quarta-feira, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, afirmou que vetará qualquer acordo comercial global que for contra seus interesses.

'Será um bom acordo ou nenhum acordo', disse ele a fazendeiros no primeiro discurso de um presidente francês na reunião anual do maior sindicato agrícola do país, FNSEA.

'Eu serei firmemente contra qualquer acordo que vá contra os interesses de nosso país. Devemos parar de dizer que se não houver acordo, não haverá crescimento... Até agora, durante sete ano, isso não levou a uma queda no crescimento'.

A França é o maior produtor de grãos da Europa e um importante exportador de animais.

O país é também de longe o maior beneficiário da Política Agrícola Comum (PAC) da União Européia, que abocanha até 44 bilhões de euros (68,76 bilhões de dólares) por ano -- cerca de 40 por cento de todo o orçamento da UE.

A França assiume a presidência da UE no segundo semestre do ano, quando uma proposta de uma 'avaliação saudável', ou minireforma, do PAC será discutida.

Sarkozy ainda criticou os EUA e o Brasil, maiores produtores de álcool, por políticas injustas de biocombustíveis.

'A Europa não pode ignorar os mecanismos adotados pelos governos brasileiro e norte-americano para dar suporte, através de dumping de impostos sem precedentes, ao desenvolvimento de alguns biocombustíveis', disse ele.

(Com reportagem adicional de Guillaume Frouin em Nantes, França)





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