O deslocamento de uma rocha de 15 mil toneladas, que não foi detectada nem por 11 sondagens feitas pelo Consórcio Via Amarela, causou o maior acidente da história do metrô de São Paulo, segundo laudo divulgado ontem. Assinado por Nick Barton, maior especialista do mundo em túneis, o documento é o primeiro a indicar como ocorreu o desmoronamento da Estação Pinheiros do Metrô, em 12 de janeiro de 2007, que deixou sete mortos.
Segundo Barton, contratado pela Via Amarela, uma rocha de 14 metros de altura, no formato de uma cunha invertida e chamada de torre sísmica, encontrava-se 7 metros abaixo do nível da Rua Capri, em Pinheiros. Sua parte maior estava apoiada no teto do túnel da estação, envolvida em argila e rochas fragmentadas.
Para o consórcio, formado pelas empresas Odebrecht, OAS, Queiroz Galvão, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Alstom, o acidente na futura Estação Pinheiros foi uma "fatalidade" e não haveria como a engenharia moderna identificar a rocha. "O consórcio não contribuiu com o acidente", disse Marcio Pellegrini, diretor de Contrato do Via Amarela. Pellegrini disse ainda que "se não houvesse água, talvez o acidente não tivesse acontecido". Segundo engenheiros ouvidos pelo Estado, com cinco sondagens no solo já se atingiria o mínimo exigido para um canteiro do porte da Linha 4 (Amarela).
Uma tubulação de águas pluviais não identificada durante o projeto executivo da obra teria lançado água nesse segmento de solo formado por argila e rocha fragmentadas que, amolecido, fez o maciço se movimentar e quebrar o arqueamento do túnel. Numa simulação, segundo Barton, o teto do túnel não suportou o peso e ruiu. Na seqüência, os dois lados tombaram sucessivamente por sobre a rocha e a terra invadiu o túnel.
Ainda segundo o diretor do consórcio, a tubulação de água pluvial sofria redução na passagem pela área, de 1 metro para 70 centímetros, o que causava um vazamento com grande pressão. Os técnicos do Via Amarela e o expert norueguês, porém, admitiram que se a construção do túnel e da estação fosse mais profunda, provavelmente o acidente teria conseqüências menores. Mas disseram que essa "definição cabe ao cliente": o Metrô. Um laudo oficial do consórcio, feito pela Maffei Engenharia e pelo Consórcio Projetista, deve ser divulgado num prazo de 40 dias.
Em nota, o Metrô informou que até o momento não recebeu do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) nenhum laudo conclusivo. Há uma semana, o Estado mostrou que o Ministério Público Estadual (MPE) já tem provas documentais e testemunhais de que a execução da futura Estação Pinheiros não seguiu o projeto de construção na área da Rua Capri. Ontem, o Consórcio Via Amarela contestou essas informações.