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Dono da JetBlue lança companhia aérea no Brasil com investimento de US$ 150 milhões

27/03 - 14:13, atualizada às 17:01 27/03 - Redação com agências

SÃO PAULO - A mais nova empresa aérea brasileira, lançada hoje pelo empresário David Neeleman, surge sem um nome definido. Mesmo assim, já entra para o mercado como sendo a segunda empresa mais capitalizada no lançamento em toda a história da aviação mundial, com aporte de US$ 150 milhões - recorde no Brasil. Com início de operações previsto para janeiro de 2009, a empresa também será a primeira companhia instalada no país a utilizar aviões da fabricante Embraer.

 

Com financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e de outros bancos privados, a companhia fechou um contrato de US$ 1,4 bilhão com a Embraer por 36 jatos modelo EMB 195 - os maiores da fabricante, com capacidade para até 122 passageiros. Além desses pedidos firmes, foram adquiridas também 40 opções para o mesmo avião, que se exercidas podem elevar a transação para US$ 3 bilhões. As três primeiras aeronaves devem ser entregues em dezembro, segundo Neeleman.

"Vamos operar com uma estratégia de dois pontos em mente: uma é fazer crescer o bolo para ter mais passageiros em rotas hoje desatendidas ou mal servidas. A outra é baixar alguns preços para pegar passageiros que hoje utilizam ônibus ou simplesmente não viajam", diz Neeleman. "Mesmo ajustando a proporção entre o Brasil e os EUA, uma análise do tamanho do PIB em relação ao número de viagens aéreas no país mostra que há espaço para um mercado três ou quatro vezes maior", acrescenta.

O presidente da fabricante Embraer concorda: "Nos EUA, em média, cada pessoa viaja duas vezes por ano de avião. No Brasil, apenas uma em quatro pessoas viaja uma vez por ano dessa forma. As oportunidades são imensas", afirma Frederico Fleury Curado.

Segundo Neeleman, o avião da Embraer é um dos fatores que permitem perseguir essas metas. Menores, mas não pequenos, como explica, eles são adaptados para o modelo que a empresa quer adotar, sem roubar passageiros das grandes, mas estimulando o tráfego em rotas alternativas. "Há muitas cidades grandes no Brasil que não são ligadas diretamente e isso é um inconveniente que limita o mercado", avalia.

Sobre o quanto poderia reduzir os preços das passagens, o empresário faz mistério: "Não sei (quanto podemos reduzir). Na verdade sei, mas não vou falar", brincou, garantindo que não vai fazer loucura. Segundo ele, o tipo de operação da empresa no país vai garantir um custo por viagem mais competitivo, embora o custo por assento, por conta do preço dos combustíveis no Brasil, fique um pouco ("apenas um pouco", ressalta) acima do que o verificado pela JetBlue.

E lembra que, embora o EMB represente um aumento de 5% no consumo em relação aos EMB 190 da irmã norte-americana, ele garante também um aumento de 18% no número de assentos. O número de pessoas que precisamos ter no avião para tornar a viagem lucrativa é menor no nosso modelo, diz Neeleman.

Ele explica, inclusive, que uma eventual guerra tarifária iniciada pelas grandes TAM e Gol não seria prejudicial à empresa, embora não acredite nessa possibilidade. "Eles têm grande competência com seus modelos e não creio que tentem afetar nossas operações. Mas somos a segunda empresa mais capitalizada em seu início no mundo, e se quiserem uma guerra, temos dinheiro o suficiente para nos manter", diz Neeleman.

Segundo ele, o mercado brasileiro tem espaço o suficiente para acomodar uma terceira empresa aérea de grande porte. Na avaliação, simplesmente ignora a OceanAir, atual terceira colocada no ranking nacional e que tem a intenção de ampliar sua fatia no país. De acordo com Neeleman, as condições econômicas brasileiras são muito favoráveis, especialmente para o modelo que quer implantar.

O empresário afirma que a percepção do espaço para uma nova companhia no país é equivocado, como era em Nova York quando lançou a JetBlue. Hoje, afirma, cinco anos após investir US$ 135 milhões na empresa, ela já tem em caixa US$ 1 bilhão, apesar da competição acirrada.

Mas, apesar das semelhanças com a JetBlue, Neeleman reiterou que as duas companhias serão totalmente independentes, embora ele tenha uma participação significativa em ambas.

Nome

Passagens grátis são alguns dos atrativos de Neeleman para estimular a participação do público na escolha do nome da sua nova companhia aérea no Brasil. A partir de hoje até 14 de abril, quem visitar o site www.voceescolhe.com.br poderá sugerir uma denominação para a empresa. Os 10 nomes mais criativos serão colocados em votação entre o dia 15 de abril até o dia 5 de maio, quando o vencedor será anunciado.

O internauta que enviar a sugestão vencedora ganhará um passe vitalício da nova empresa aérea, ou seja, poderá voar de graça pelo resto da vida, sempre com direito a levar um acompanhante. Outros mil participantes que votarem no nome vencedor também ganharão bilhetes gratuitos.

O objetivo da empresa é usar o site como ferramenta de relacionamento com o cliente, antes mesmo de começar a voar. Além do nome, as pessoas serão convidadas, ao longo dos próximos meses, a fornecer muitos dos parâmetros do produto, como os destinos que devem ser servidos, o tipo de serviço de bordo e até a cor dos uniformes.

"Sabemos que é bem mais fácil atender a esses pedidos e sugestões do que tentar impor um produto pré-concebido, por isso vamos ouvir o que os usuários querem de uma companhia aérea e trabalhar para atendê-los", afirmou Neeleman.

Passado

Neeleman, 48, possui um longo histórico na indústria aérea nos Estados Unidos. Ele começou vendendo pacotes turísticos para o Havaí na época que estudava na faculdade, antes de fundar a companhia aérea Morris Air em 1984.

Em 1993, ele vendeu a Morris para a Southwest Airlines por 22 milhões de dólares em ações. Cinco anos depois, ele fundou a JetBlue, cujo modelo de negócios de baixo custo e oferta de algumas regalias aos passageiros (como televisão ao vivo e assentos de couro) ajudou a redefinir as viagens aéreas.

Como nasceu no Brasil, Neeleman não se enquadra em uma lei que limita a 20% a propriedade de companhias aéreas nacionais por estrangeiros. Ele foi criado nos Estados Unidos, mas retornou ao Brasil como missionário mórmon, uma experiência que o ajudou a aperfeiçoar seu português.

Em maio de 2007, Neeleman foi afastado do cargo de presidente-executivo da JetBlue depois que uma interrupção no serviço deixou milhares de passageiros impossibilitados de viajar e custou à empresa mais de US$ 30 milhões. Desde então, ele ocupa o cargo de presidente não-executivo do conselho.

Com informações do Valor Online e da Agência Estado

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