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Miguel Jorge destaca luta contra protecionismo em visita à Índia

26/03 - 10:56 - EFE

Marta Berard Nova Délhi, 26 mar (EFE).- O ministro de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, destacou hoje que Brasil e Índia possuem "excelentes" relações tendo em vista que os dois países lideram "a luta contra o protecionismo da União Européia (UE) e dos Estados Unidos".

Em declarações à Agência Efe após uma conferência conjunta em Nova Délhi com seu colega indiano, Kamal Nath, o ministro disse que os dois países são "talvez os principais oponentes do protecionismo da UE e dos EUA. Essa é uma aliança eterna entre Índia e Brasil".

Além disso, afirmou que as potências ocidentais estão cometendo "um erro com os países emergentes" ao manter as barreiras comerciais em vários setores, principalmente na agricultura.

Em seu discurso, o ministro destacou que "Brasil e Índia são duas grandes democracias cujas economias estão em processo de crescimento rápido, e as perspectivas para ambos são realmente encorajadoras".

Miguel Jorge afirmou que sua visita ao país, acompanhado de uma grande delegação empresarial, tem o objetivo de "identificar oportunidades de negócio, mas também aumentar o conhecimento mútuo das peculiaridades" dos dois Estados.

Também destacou que os dois Governos têm "excelentes relações no mais alto nível" e um grande entendimento em organismos internacionais como a Organização Mundial de Comércio (OMC).

O ministro citou os principais aspectos que definem a estrutura econômica do Brasil, entre os quais destacou o compromisso do Governo em conseguir estabilidade monetária, a contenção da inflação, a inclusão de toda a sociedade na economia e o crescimento sustentável.

No entanto, Jorge também ressaltou os aspectos que devem ser melhorados. "Os dois países podem e devem aumentar seu comércio. A Índia representa uma pequena parcela do comércio do Brasil com a Ásia, apenas 1%. Temos muito a fazer", acrescentou.

A balança comercial entre os dois países é amplamente deficitária para o Brasil, que exportou para a Índia um volume financeiro de US$ 957,9 milhões, em 2007, enquanto as compras brasileiras do país asiático chegaram a US$ 2,160 bilhões.

No período citado, as exportações brasileiras cresceram 2% em relação ao ano anterior, enquanto as vendas da Índia com destino ao Brasil subiram quase 50%.

Os dois países mantêm o objetivo de alcançar um comércio bilateral de US$ 10 bilhões em 2010, meta que o ministro admite que não poderá ser atingida se o Brasil não acelerar o ritmo e se esforçar para equilibrar os intercâmbios para reduzir o déficit comercial.

O ministro revelou que a cooperação com a Índia também chegou ao setor da energia atômica.

"Temos uma das maiores reservas de urânio do mundo e devemos desenvolvê-la", disse Jorge, que especificou que as atividades nucleares do Brasil têm fins civis.

O ministro de Comércio indiano, Kamal Nath, agradeceu à delegação brasileira por seu "tempo e esforço" e disse que estão sendo abertas "novas oportunidades" para os dois países que trabalham "intensamente juntos".

O diretor técnico da Agência Brasileira de Promoção das Exportações e Investimentos (Apex), Mauricio Borges, disse à Agência Efe que as barreiras legais ao comércio exterior existem nos dois países, mas que "devem de ser entendidas e superadas".

Borges destacou os setores de autopeças, química farmacêutica - pelo grande desenvolvimento da fabricação de produtos genéricos -, processamento de alimentos e peças para a indústria da aviação civil como os que apresentam mais oportunidades para a cooperação comercial bilateral. EFE mb/ev/fb




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