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Tudo indica que crise é de grandes proporções, diz Mantega

17/03 - 16:36, atualizada às 16:46 17/03 - Agência Estado

Na visão do ministro da Fazenda, Guido Mantega, tudo indica que a crise externa é de grandes proporções. "A cada dia ela parece um pouco maior. Alguns já começam a falar numa crise parecida com a de 1929", disse, em nova entrevista, na portaria do Ministério da Fazenda.

 

O ministro voltou a afirmar que o Brasil está sólido, é um porto seguro e pode passar pela crise com a menor conseqüência possível.

Mantega admitiu que poderá haver saída de capital externo por meio de instituições financeiras que precisam cobrir "buracos" lá fora, mas reforçou que não há repercussões no investimento, consumo e atividade econômica no Brasil em decorrência da crise. "As conseqüências são esses movimentos no mercado de renda variável", afirmou.

O ministro destacou que a economia brasileira tem rápida capacidade de recuperação. Ele avaliou ainda que o Brasil continua merecendo a confiança dos investidores e lembrou que o jornal inglês "The Guardian" publicou reportagem afirmando que o Brasil é um porto seguro. "Estamos no porto seguro. É claro que algumas conseqüências acontecem aqui no Brasil, mas nós poderemos passar por essa crise com as menores conseqüências possíveis", avaliou.

Mantega afirmou que houve um agravamento da crise financeira internacional, refletindo-se sobre todos os mercados do mundo. "Porém a economia (brasileira) não sofreu nenhuma conseqüência do agravamento dessa crise. Estamos atentos e vigilantes. E tomaremos medidas necessárias se isso acontecer", afirmou.

O ministro fez uma avaliação de que, por enquanto, o Brasil não é afetado. "Nós (a economia brasileira) estamos resguardados". Mantega acrescentou que as conseqüências são periféricas, localizadas no mercado de renda variável. Ele avaliou que a segurança da economia brasileira repousa nos seus fundamentos sólidos. Mantega lembrou ainda que a reservas internacionais brasileiras somam US$ 195 bilhões, chegando, portanto, perto dos US$ 200 bilhões, e que há grande confiança na economia e que o Brasil é porto seguro. "O Brasil é hoje um local onde as coisas vão bem e as empresas estão sólidas."

Para Mantega, "a quebra do banco Bear Stearns causou uma certa comoção" por ser o quinto maior banco de investimentos dos Estados Unidos. O JPMorgan Chase anunciou a compra do Bear Stearns por apenas US$ 236 milhões, contra cerca de US$ 4 bilhões em valor de mercado na semana passada.

Juros 

Mantega destacou ainda que a confirmação da expectativa de uma redução do juro básico norte-americano de 0,75 ponto porcentual a 1 ponto deverá provocar uma calmaria no mercado. O Fed decide amanhã o rumo do juro básico dos Estados Unidos, atualmente em 3% ao ano.

Mantega afirmou que não há necessidade de aumentar os juros no Brasil por conta do agravamento da crise internacional. "Aqui no Brasil, não há necessidade de aumentar os juros. Pelo contrário, as taxas de juros estão baixando. Nos EUA, elas baixaram", afirmou o ministro, em entrevista na portaria do Ministério da Fazenda. Segundo ele, a preocupação é com o impacto da crise dos Estados Unidos, iniciada no setor imobiliário, no nível de atividade e no crédito.

Ele acrescentou que há um grande problema de crédito, referindo-se à crise internacional, e o que deve ser feito é impedir que esse problema se espalhe. "Isso é tarefa dos BCs americano e europeu, frear a extensão da crise e o contágio a todas as economias."

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