17/03 - 15:56, atualizada às 16:25 17/03 - Redação com Agência Estado
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou hoje que houve um agravamento da crise financeira internacional, refletindo-se sobre todos os mercados do mundo. Com isso, as bolsas estão caindo, inclusive no Brasil, disse.
"Porém, a economia (brasileira) não sofreu nenhuma conseqüência do agravamento dessa crise. Estamos atentos e vigilantes. E tomaremos medidas necessárias se isso acontecer", afirmou.
O ministro fez uma avaliação de que, por enquanto, o Brasil não é afetado. "Nós (a economia brasileira) estamos resguardados". Mantega acrescentou que as conseqüências são periféricas, localizadas no mercado de renda variável. Ele avaliou que a segurança da economia brasileira repousa nos seus fundamentos sólidos. Mantega lembrou ainda que a reservas internacionais brasileiras somam US$ 195 bilhões, chegando, portanto, perto dos US$ 200 bilhões, e que há grande confiança na economia e que o Brasil é porto seguro. "O Brasil é hoje um local onde as coisas vão bem e as empresas estão sólidas."
Para Mantega, "a quebra do banco Bear Stearns causou uma certa comoção" por ser o quinto maior banco de investimentos dos Estados Unidos. O JPMorgan Chase anunciou a compra do Bear Stearns por apenas US$ 236 milhões, contra cerca de US$ 4 bilhões em valor de mercado na semana passada.
"Acredito que as medidas do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA), como a redução da taxa de redesconto (crédito emergencial para bancos) em 0,25 ponto porcentual e a reunião de amanhã, quando certamente haverá nova queda das taxas de juros, poderão acalmar os mercados", afirmou Mantega, em rápida entrevista. O ministro enfatizou que o Brasil está numa situação sólida, mas destacou que é inevitável que o mercado de renda variável brasileiro seja afetado.
Juros
Mantega afirmou que não há necessidade de aumentar os juros no Brasil por conta do agravamento da crise internacional. "Aqui no Brasil, não há necessidade de aumentar os juros. Pelo contrário, as taxas de juros estão baixando. Nos EUA, elas baixaram", afirmou o ministro, em entrevista na portaria do Ministério da Fazenda. Segundo ele, a preocupação é com o impacto da crise dos Estados Unidos, iniciada no setor imobiliário, no nível de atividade e no crédito.
Ele acrescentou que há um grande problema de crédito, referindo-se à crise internacional, e o que deve ser feito é impedir que esse problema se espalhe. "Isso é tarefa dos BCs americano e europeu, frear a extensão da crise e o contágio a todas as economias."
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