BRASÍLIA - Por decisão unilateral do Ministério da Agricultura foram cortadas entre seis e oito das 106 fazendas brasileiras autorizadas a exportar carne bovina para a União Européia (UE). A informação é do embaixador da União Européia no Brasil, João Pacheco, que falou com exclusividade à Agência Brasil pouco antes entrevista nos estúdios da TV Brasil, ontem à noite. " A iniciativa foi do Ministério da Agricultura, essa é uma responsabilidade do ministério " , frisou o embaixador.
A relação de propriedades rurais foi apresentada pelo governo brasileiro com garantia de rastreabilidade. Depois de recusar listas anteriores, maiores, no dia 27 de fevereiro a União Européia aceitou a indicação de 106 fazendas e iniciou inspeção por amostragem em cerca de 30 delas - segundo Pacheco, a relação foi aprovada pois a UE considerou que as auditorias tinham seguido os requisitos acordados com o governo brasileiro.
Esta semana surgiram boatos de que algumas propriedades teriam sido banidas da lista pela missão técnica européia - que deve concluir seus trabalhos na próxima sexta-feira, com reunião no Ministério da Agricultura. De acordo com João Pacheco, as fazendas retiradas da lista não chegaram a ser inspecionadas.
O embaixador reiterou que a UE não impõe um número limite de exportadores e que serão aceitos tantos quantos forem considerados aptos pelo governo brasileiro. O céu é o limite, não há qualquer limite quantitativo. Tudo depende das listas que forem enviadas pelo Ministério da Agricultura com as fazendas devidamente auditadas , assegurou.
Segundo ele, a única exigência é de que os exportadores cumpram os critérios acertados entre a União Européia e o governo brasileiro - o principal deles refere-se ao rastreamento dos animais. Tem que haver um registro de onde esteve o gado nos 90 dias antes de ser enviado ao frigorífico , explicou.
O embaixador informou que a polêmica quanto à rastreabilidade começou devido a problemas com o Sistema Brasileiro de Identificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov). Desde 2002 tínhamos um acordo com o Brasil para rastreabilidade e o sistema apresentava problemas. Quando houve uma inspeção nossa no final do ano passado, constatou-se que esses problemas graves continuavam , relatou.
Entre os problemas, ele cita como exemplo a falta de identificação de animais ou desencontro de informações entre o registro e a real situação do gado. Fomos obrigados a chegar à conclusão de que o sistema como um todo não dava as garantias necessárias e passamos a outro requisito que é a certificação exploração por exploração [propriedade de exploração pecuária], e é nessa fase que agora estamos. Precisamos de listas de explorações que preencham os requisitos e não mais a auditoria de um sistema global de rastreamento , esclareceu.
Segundo ele, nunca houve limite para tais listas, mas apenas uma recomendação técnica de Bruxelas de que fossem autorizadas as exportações de 300 fazendas. Era o número que nós pensávamos que seria possível o governo auditar numa primeira fase. Ao final, o número auditado foi de 106 , argumentou.
(Agência Brasil)