12/03 - 14:51, atualizada às 18:00 12/03 - Valor Online
BRASÍLIA - Apesar de otimista com o resultado de 2007, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, mostrou-se cauteloso sobre a evolução da economia em 2008, prevendo uma variação real do Produto Interno Bruto (PIB) de 5%. Ele mudou seu discurso e já fala em "possível desaceleração" interna, por efeito da crise do crédito imobiliário americano.
Segundo o ministro, impulsionada pela aceleração do último semestre, que gerou um PIB de 5,4% em 2007, a economia brasileira está crescendo "a 6% nesse momento". Mas, ao contrário das contemporizações que procurava fazer sobre impactos da crise externa no mercado local, o ministro avalia agora que a situação tornou-se mais grave, e que o país precisa se "precaver".
"A economia começou o ano acelerada, mas em função da crise externa, é possível que haja uma desaceleração", disse Mantega, ao comentar que uma taxa de crescimento a 5% neste ano está de bom tamanho e será bastante razoável se concretizada.
Ele lembrou que o Brasil conseguiu ter desempenho acima do esperado no ano passado, apesar da crise de crédito de alto risco no mercado imobiliário americano ter estourado no segundo semestre. Era de se esperar, destacou, que a economia brasileira sofresse uma desaceleração e o consequente aperto monetário pelo Banco Central, o que não ocorreu.
Segundo Mantega, a crise internacional vem se agravando nos últimos meses. "A crise é de grandes proporções, então, temos que ter prudência", afirmou o ministro, após retornar de audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Robusta e equilibrada
Antes de ir ao Planalto, ao comemorar o resultado do PIB em 2007, o ministro disse que estava "satisfeito" com o resultado, pois significa "que a economia brasileira cresce de forma robusta e equilibrada, com investimentos em 13,4%, um dos maiores dos últimos tempos, além de inflação sob controle". E chegou a dizer que "dá para manter esse crescimento de 2007, pois quando há um ano forte, o ano seguinte passa a crescer fortemente".
Entretanto, na segunda entrevista, ele procurou enfatizar a preocupação com possíveis efeitos da crise externa. "Há esse fator que traz alguma intranquilidade ao cenário econômico interno", afirmou ele.
O ministro listou ainda um conjunto de variáveis que, segundo ele, permitem que se diga "que está implantado no Brasil um ciclo de crescimento, por estarmos há quatro anos com PIB acima de 3%, que vai continuar nos próximos anos".
Disse que Lula ficou satisfeito e pediu condições de continuidade para acelerar e manter a qualidade do crescimento. Mantega ressaltou também que caiu por terra "o mito do PIB potencial", teoria que apontava a incapacidade de variação do PIB acima de 3,5%. "Está provado que o PIB brasileiro pode crescer mais que 5%, sim, sem gerar pressão inflacionária", comentou.
Investimentos
Destacou ainda que o nível de investimentos ficou em 17,6% do PIB, em função de aumento da produtividade. "É outra virtude do crescimento que vivemos hoje", disse Mantega, citando que há uma modernização do parque fabril, com as empresas aproveitando o dólar baixo para importar máquinas e equipamentos. Além disso, o uso da capacidade instalada "está em torno de 83%, 84%, o que significa que as empresas estão implantando segundo, terceiro turno".
Segundo o ministro, o governo quer que o país "cresça, mas cresça gradualmente", para que não falte oferta para acompanhar. E também mencionou que, se o crescimento for muito rápido, a infra-estrutura pode ficar aquém. "Se crescermos demais, falta infra-estrutura", disse, acrescentando que é por isso que o governo está investindo no setor, para não haver estrangulamentos futuros. (Azelma Rodrigues | Valor Online)
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