08/02 - 20:40, atualizada às 21:03 08/02 - Agência Estado
O operador francês Jérôme Kerviel, acusado de provocar um rombo de 4,9 bilhões de euros no banco Société Générale, foi preso de novo nesta sexta-feira por ordem do Tribunal de Apelação de Paris. Para os juízes que analisaram o caso, ele poderia fugir.
Kerviel, de 31 anos, estava em liberdade sob controle judicial desde 28 de janeiro, quando foi processado por abuso de confiança, falsificação e intromissão em sistema de tratamento de dados de informática. Segundo o Société Générale, Kerviel fez operações ilegais no mercado futuro de bolsas de valores européias que correspondem a um montante superior a € 50 bilhões (valor maior que o da própria instituição).
O Ministério Público havia solicitado desde o início a detenção preventiva do operador e recorreu da decisão dos juízes de instrução que apontaram que o controle judicial era suficiente. A procuradoria afirmava que havia "riscos de reunião com eventuais cúmplices" e era necessário evitar o desaparecimento de provas enquanto se esclarecia "o mecanismo completo da fraude".
A advogada de Kerviel, Elisabeth Meyer, anunciou que na segunda-feira recorrerá à Corte Suprema. "Não consigo explicar essa decisão", disse. Segundo ela, nada tinha mudado desde que os juízes instrutores optaram por deixá-lo em liberdade sob controle judicial. O advogado do Société Générale, Jean Veil, disse que o Tribunal de Apelação não podia deixar de ser sensível ao recurso da promotoria, "perante a discrepância entre as declarações de Kerviel e a verdade".
Um operador da Corretora Fimat, filial do Société Générale, foi interrogado hoje pelos agentes que averiguam a fraude no banco francês para saber se houve alguma cumplicidade com Jérôme Kerviel, até agora único acusado pelo prejuízo de € 4,9 bilhões ao banco. Para muitos analistas, Kerviel dificilmente agiu sozinho.
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