Brasília, 8 - Para atender a um pedido antigo dos produtores rurais, o governo vai reduzir a tarifa antidumping sobre as importações de matérias-primas da China para a produção de glifosato, herbicida muito usado nas lavouras de soja convencional e geneticamente modificada. A redução da alíquota facilitará as importações e reduzirá os custos de produção da agricultura.
A tarifa atual é de 35,8%, mas os sete ministros que integram a Câmara de Comércio Exterior (Camex) aceitaram reduzir a alíquota para um porcentual entre 10% e 15%.
O governo ainda não bateu o martelo sobre o porcentual que valerá a partir de agora, mas a tarifa será conhecida até terça-feira, quando a decisão da Camex será publicada no Diário Oficial da União. "A redução é uma boa notícia, mas vamos continuar lutando para zerar a tarifa", comentou o deputado Luis Carlos Heinze (PP-RS), relator da Subcomissão de Política Agrícola, Endividamento e Renda Rural da Comissão de Agricultura da Câmara. Em 2007, o deputado conduziu várias audiências públicas para discutir o aumento dos preços dos insumos agrícolas, entre eles o glifosato.
O assunto foi discutido hoje durante reunião de um grupo de trabalho criado no âmbito da Camex. O Ministério da Agricultura, que integra a Camex, defendia a redução para 5%. A tarifa é usada para evitar a venda do produto importado, principalmente da China, por preços inferiores ao custo de produção no Brasil. O glifosato chinês ainda paga 12% de Tarifa Externa Comum (TEC) para entrar nos países do Mercosul. De acordo com dados da Comissão, o setor agropecuário adquiriu, em 2007, cerca de 200 milhões de litros por quilo do produto, dos quais, 153 milhões foram produzidos no Brasil. Outros 47 milhões foram importados, destes, 43 milhões dos Estados Unidos. Das empresas que dominam esse mercado, a Monsanto detém aproximadamente 80% de toda a produção e comercialização de glifosato em território nacional.