São Paulo - Depois do ataque do nematóide de cisto da soja, outra espécie da praga vem deixando produtores de soja em estado de alerta. Desta vez, é o nematóide das lesões radiculares (Pratylenchus brachyurus), que está causando prejuízos nas lavouras, principalmente em propriedades de Mato Grosso.
"O nematóide de lesões radiculares é nativo do cerrado, mas já há evidências de que a praga pode chegar a São Paulo", diz o professor de Nematologia Jaime Maia dos Santos, da Faculdade de Ciências Agrárias e Veterinárias da Unesp, câmpus de Jaboticabal (SP).
Ele explica que, diferente do nematóide de cisto da soja, que já foi considerado praga entre sojicultores, o nematóide de lesões radiculares multiplica-se também em lavouras de milho, algodão, cana-de-açúcar e café, o que torna seu controle mais difícil.
"O nematóide de cisto tem uma gama muito mais limitada de hospedeiros do que o do gênero Pratylenchus. Com isso, os produtores habituados à rotação de culturas - com milho, sorgo, arroz, algodão, girassol, mamona, cana-de-açúcar, trigo e outras gramíneas - aprenderam a conviver com a praga do cisto", diz Santos.
Conforme o professor, a principal característica da área infestada com o nematóide das lesões radiculares é a formação de "buracos" na lavoura. "A planta atacada não cresce e isso deixa partes do solo descobertas." Além disso, surgem reboleiras (manchas amarelas) e as plantas têm crescimento retardado.
A principal maneira de controlar a praga é, conforme Santos, fazer a rotação de culturas. Isso quebra o ciclo da praga e diminui sua população na próxima safra. "Sem rotação, o nematóide vira praga." Atualmente, pesquisas recomendam rotacionar a soja com variedades de milheto resistentes a esse tipo de nematóide ou com crotalária, espécie spectabilis, normalmente utilizada para adubação verde e como planta-armadilha em solos infestados por nematóides. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo/Agrícola