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Salsicha Suíça, só com tripa de boi brasileiro

15/01 - 12:48 - Agência Estado

Imagine se, no Brasil, a feijoada não pudesse mais ser feita por falta de ingredientes. Pois é algo semelhante que está para ocorrer na Suíça com um dos pratos mais tradicionais do país: a salsicha.

Nos próximos meses, os suíços podem ficar sem o alimento, historicamente produzido com carne local, mas hoje dependente da tripa brasileira.

O governo suíço, seguindo a decisão da União Européia, impôs barreiras sanitárias à carne brasileira desde abril de 2006. O temor dos europeus é que o intestino das vacas brasileiras possam estar contaminados com a doença-da-vaca-louca.

Mas o resultado dessa barreira agora pode ser uma crise inesperada na mesa dos suíços, com o fim dos estoques da carne brasileira.

Conhecida como cervelat, a salsicha é uma paixão nacional. Para se ter uma idéia do que representa na culinária suíça, basta observar o cálculo dos produtores: por ano, os 7 milhões de habitantes do país consomem 160 milhões de salsichas, 25 mil toneladas.

Para complicar, a Suíça será a sede da Eurocopa em junho e, fora dos estádios, o lanche preferido é sempre a salsicha. "Não se pode pensar em um campeonato de futebol sem salsicha", afirmou a Associação de Produtores de Carne da Suíça, em comunicado.

Para lidar com a crise, a entidade de produtores anunciou ontem a criação de uma força-tarefa com o objetivo de encontrar uma saída para continuar produzindo. Cientistas, autoridades e empresários foram convocados a estudar uma estratégia para não deixar o prato desaparecer da culinária suíça.

Para ser produzida, a salsicha precisa do intestino da vaca brasileira. Mais precisamente da tripa do gado Zebu, que permite o revestimento da carne com um diâmetro de 32 a 34 milímetros.

"Não sabemos quando ficaremos sem o produto. Mas alguns produtores nos dizem que isso pode ocorrer já em junho", afirmou Balz Sorber, porta-voz da Associação de Produtores de Carne da Suíça.

Nos últimos meses, os produtores suíços têm tentado convencer os europeus a remover as barreiras, já que muitos cientistas acreditam que a carne brasileira não representa risco. Mas, sem obter sucesso, os suíços agora querem que Bruxelas abra uma exceção e permita que o país possa importar o intestino do gado Zebu do Brasil.

A Suíça não faz parte da UE, mas, por compartilhar fronteiras e uma série de políticas com os países do bloco, segue as mesmas orientações no campo fitossanitário.

Os suíços já começam a estudar a possibilidade de importar a carne da Argentina, do Uruguai, Paraguai e mesmo da África. Mas os produtores alegam que apenas o Zebu brasileiro garante o gosto e a qualidade do tradicional prato suíço. As outras tripas usadas não permitiram que a salsicha fosse grelhada da mesma forma.

No Parlamento suíço, o deputado Rolf Buttikoffer ainda deverá convocar uma audiência pública para debater o futuro do prato. A indústria suíça precisa de cerca de 20 mil quilômetros de tripas para embalar as salsichas todo ano.



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