18/12 - 13:50, atualizada às 14:21 18/12 - Ana Freitas, repórter do Último Segundo
SÃO PAULO - A apenas seis dias da noite de Natal, consumidores lotam shoppings em busca do presente de última hora. A dificuldade de estacionar o carro, o brinquedo que não tem mais no estoque da loja e as filas para pagar a conta e embrulhar os produtos comprados estressam quem deixou para fazer o papel de Papai Noel na última semana. Com o dinheiro do 13º no bolso, o consumidor deve estar atento para não cair nas ciladas que podem vir com as compras feitas por impulso.
A Associação Brasileira de Defesa do Consumidor Pro Teste alerta que a escolha feita com pressa é um perigo para o bolso. “Além de não ter tempo para fazer pesquisa de preço, quem compra de última hora acaba não analisando as possibilidades de pagamento nem prestando tanta atenção à qualidade do produto”, diz a advogada e coordenadora institucional da Pro Teste, Maria Inês Dolci.
| Ana Freitas/Último Segundo |
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| Simone pagou caro pela falta de tempo |
A associação Pro Teste lembra que, para não cair em uma cilada ao comprar um brinquedo, o consumidor deve observar se o produto está adequado para a faixa etária da criança e se possui o selo do Inmetro, que atesta se o produto atende às normas e regulamentos exigidos por lei. Para os eletrônicos, atente à voltagem e às opções de assistência técnica.
Levar os pequenos para escolher seus próprios presentes pode tornar a compra mais rápida, desde que as negociações sobre opções de valores tenham sido feitas com antecedência. A dona de casa Cláudia Porto levou a filha Júlia para ajudá-la nas compras dos parentes e aproveitou para levar o seu presente.
| Ana Freitas/Último Segundo |
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| Júlia já escolheu seus presentes |
As ofertas e a facilidade de crédito faz com que o Natal movimente um turismo destinado a regiões de compras, como o Brás e e a 25 de Março, em São Paulo. Segundo a São Paulo Turismo, 36% das pessoas que circulam por estes centros são do interior do Estado e 19% são do Rio de Janeiro ou de Minhas Gerais.
13º para pagar contas
Muitos trabalhadores recebem nesta semana a segunda parcela do 13º salário, o que ajuda a aquecer ainda mais as compras. A advogada da Pro Teste, no entanto, recomenda que o dinheiro seja reservado para o pagamento ou renegociação de possíveis dívidas. “Se o cliente tiver disposição para pagar o que deve, os bancos negociam, amenizam os juros, facilitam a quitação”, sugere.
O consumidor não pode esquecer também das despesas que chegam com o novo ano, como o IPVA, as taxas de matrículas e livros escolares. Mas, para não deixar passar em branco, quem pretende entrar o ano sem dívidas pode recorrer às famosas “lembrancinhas”. “Deve-se dar presentes para dizer que a pessoa é querida e isto independe de grandes valores”, lembra Maria Inês.
Esta foi a opção feita, por exemplo, pela terapeuta corporal Zildinha de Souza. “Este ano resolvi selecionar apenas algumas pessoas para dar um ‘mimo’, mas nada de grandes presentes. Serão apenas lembrancinhas de até R$ 30 para desejar um feliz Natal”, comentou.
Em uma loja de bijuterias de um shopping da zona oeste de São Paulo, a vendedora comemorava as boas vendas deste fim de ano. “Estamos vendendo bem. A proximidade do Natal estimula as pessoas a fazerem compras mesmo quando vêm ao shopping só para ir ao cinema. Por isto, tarde da noite, depois dos filmes, ainda tem gente olhando as vitrines”, contou.
A lista reduzida de presenteados parece ser uma das características que vai marcar o natal de 2008. Ainda assim, o mercado está aquecido (as vendas de varejo na primeira quinzena de dezembro ficaram 6% superior ao mesmo período do ano passado).
Segundo a Associação Brasileira de Lojistas de Shopping (Alshop), o cenário econômico atual, com inflação controlada, desvalorização do dólar e aumento de renda, faz com que a expectativa de vendas para este Natal seja de 10 a 12% maior em comparação com o ano passado. Para os varejistas de brinquedos, por exemplo, o período natalino representa 40% do faturamento anual.
| Ana Freitas/Último Segundo |
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| Ângela e Ellen darão lembranças |
Compras pela internet
Para fugir da confusão dos shoppings, uma das opções é fazer as compras pela internet. A escolha por este meio, no entanto, não significa que se deve ter menos cuidados. Pesquisa da Pro Teste, feita com 34 sites que vendem produtos, aprovou apenas três deles. Problemas como dificuldades na devolução do produto e falhas na entrega reprovaram os demais.
“Caso o consumidor opte por comprar as coisas pela internet, é preciso ficar atento às formas de pagamento oferecidas, ao prazo que este produto será entregue e suspeitar das lojas que oferecem preços muito abaixo do mercado”, alerta a advogada Maria Inês.
Ela recomenda, ainda, que os consumidores evitem comprar em lojas que nunca ouviram falar, mas que apareceram em uma busca feita em sites de comparação de preços. “Às vezes estes pequenos detalhes evitam problemas como a dificuldade de trocar o presente depois, a impossibilidade de cancelar a compra ou até mesmo a falta de sigilo com relação aos dados dos clientes”.
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