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Interatividade na TV Digital ainda não está definida

30/11 - 16:25, atualizada às 11:13 03/12 - Paula Leite, repórter Último Segundo

A TV Digital estreou neste domingo na região metropolitana de São Paulo, e traz, por enquanto, vantagens como a melhora da imagem e do som. A interatividade, porém, que permitiria ao telespectador votar em enquetes e até mesmo comprar produtos pela televisão, ainda não estará disponível em sua forma plena. Clique na imagem abaixo para saber como vai funcionar a transmissão da TV Digital.


 

Os conversores para receber TV digital comprados agora não têm o recurso, diz Renato Ópice Blum, advogado especialista em direito eletrônico e presidente do Conselho Superior de Tecnologia da Informação da Fecomercio. "Conversores com mais recursos vão ser lançados ao longo dos próximos anos", diz ele.

Está disponível uma interatividade mais simples, como o acesso a um menu da programação dos canais pelo controle remoto e a exibição de informações adicionais sobre o programa que está sendo transmitido.

No entanto, o software que vai padronizar a interatividade, conhecido como middleware Ginga, ainda não está totalmente pronto. Isso significa que os conversores vendidos hoje não terão a interatividade quando esse recurso estiver disponível.

"O software está em fase final, mas ainda não está totalmente especificado, então não tenho como saber que hardware colocar no conversor", explica o diretor de Tecnologia da Philips na América Latina, Walter Duran.

Duran nega, no entanto, que o conversor comprado agora vá ficar obsoleto. "O conversor usa tecnologia digital. É normal que um laptop, por exemplo, seja trocado a cada dois ou três anos. O conversor comprado agora poderá ser usado sem problemas por muitos anos, mas novos modelos com mais recursos vão surgindo", afirma.

Outra questão que impede que os conversores vendidos hoje estejam prontos para a interatividade plena é que o chamado canal de retorno ainda não está definido. Dessa forma, as caixinhas também não podem ter o hardware adequado para o canal escolhido.

Para Ópice Blum, "hoje não há um sinal para que a informação volte do telespectador para a radiodifusora". Esse sinal de volta é necessário para o telespectador enviar informações, como seu voto em uma enquete.

O meio que possibilitaria o envio de dados pelo espectador poderia ser o telefone, a banda larga, o WiMax (internet rápida sem fio) ou até o satélite. "A grande interatividade virá com a convergência da internet com a programação da TV", prevê Ópice Blum. "As radiodifusoras poderão fazer acordos com provedores de conteúdo de internet para fazer a interatividade dos programas", disse.

Existem também normas na Constituição que poderão ter que ser revistas para permitir a interatividade. De acordo com Ópice Blum, há aspectos jurídicos que não estão definidos, como que tipo de conteúdo e difusão cada tipo de empresa poderá fazer – radiodifusoras, teles e provedoras de conteúdo de internet.

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