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TV pública deve ser colocada no espectro da TV digital, diz especialista

28/11 - 11:29 - Nara Alves, repórter iG no Rio

SÃO PAULO - O pesquisador da Escola de Comunicação e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP) Laurindo Leal acredita que a TV pública deve ser colocada no espectro da TV digital em uma posição que permita uma comparação rápida do modelo com os canais comerciais.

“Com a TV digital temos a possibilidade de mais canais[...], mas isso vai ser discutido na outorgação do espectro”, explicou o pesquisador.

O presidente da Televisão América Latina (TAL), Gabriel Priolli, também ressalta a importância da ampliação do número de canais com a consolidação da TV digital para a TV pública.

“Observo a criação da TV pública como uma iniciativa legítima do governo federal e coerente com o que está disposto no decreto 5820 que criou o padrão de TV digital japonês, que cria quatro novos canais estatais, entre os quais um do Poder Executivo”, observou.

Para Priolli, é coerente que o governo organize esses canais em uma rede, para operacionalizar custos, porque as concessões de TV aberta são locais. “Teoricamente vamos ter aí em cerca de 5 mil municípios, pelo menos 4 mil canais especificamente pro Poder Executivo. A União querer programar esse canal”, afirmou.

O jornalista Ethevaldo Siqueira, colunista do jornal “O Estado de S.Paulo”, não acredita que a criação da TV pública seja um bom investimento do governo. “A história nasceu com a TV digital, com a criação de quatro novos canais. Ninguém sabia por que eles estavam lá [na lei que estabelece o padrão japonês] reservados. Não estava claro. Com a TV digital, ele [governo] não vai instalar uma só emissora. Terão que ter analógica e digital por 10 anos. É de uma ignorância total dos problemas de comunicação do Brasil. Vão jogar dinheiro fora”, opinou.

Controlador de rede

O controle dos antigos e futuros canais de TV que poderão ser criados a partir da TV digital e da TV pública gera muita discussão entre especialistas. O presidente da TAL explica que a figura do operador de rede não foi contemplada na lei da TV digital.

“Foi utilizado na Europa e racionalizou o espectro, aumentando o número de canais. É possível que a gente, tendo canais públicos e estatais mais ou menos agrupados em determinada faixa do espectro, tenha canais operados por um operador de rede público. A idéia era um operador para todos, mas perdemos. O operador não foi contemplado na lei”, esclareceu.

Agora, com o debate sobre a TV digital, Priolli espera que a abertura de espaços de novos canais seja concretizada. “Estamos montando a TV, nosso projeto tem 150 parceiros em 21 países. É um canal cooperativo, montado por parceiros, como canais de TV, produtores independentes. Gostaríamos muito, pelo caráter público, voltado apenas para a integração, de ter espaço”, adiantou.

* (Entrevistas publicadas no dia 4 de abril de 2007 no Último Segundo)




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