28/11 - 11:02 - Nara Alves, repórter iG no Rio
SÃO PAULO - A grande mudança que a TV digital poderá proporcionar à linguagem televisiva é uma interatividade mais ativa (e não meramente reativa) por um canal de retorno por meio da telefonia fixa ou celular, rádio, satélite, internet e, no futuro, via rede elétrica.
Embora o governo tenha explicitado, na lei que criou a TV digital brasileira, que o fluxo da programação deve ser mantido, alguns especialistas já apontam para o fim desse fluxo, principalmente por causa do aumento da interatividade.
Há três níveis de interatividade: a interatividade local, a interatividade com canal de retorno intermitente e a interatividade com canal de retorno permanente.
No primeiro nível, a interatividade é restrita ao controle remoto e ao aparelho televisivo, isto é, não há envio de sinal para o radiodifusor. Nessa caso, seria possível escolher ângulos de câmera, por exemplo.
No segundo nível, há um canal de retorno e também há possibilidade de mediação com outros usuários. Nesse nível, a comunicação não necessariamente acontece em tempo real.
O nível mais avançado de interatividade possibilita o canal de retorno para o provedor de serviços e outros usuários em tempo real.
O aumento da interatividade depende de mudanças políticas que possibilitem um novo modelo mais democrático. Isto é, além dos avanços tecnológicos, a interatividade está sujeita, também – e, talvez, principalmente -, de mudanças nas leis que regulamentam a comunicação.
Com modificações na lei, a audiência poderá ter um importante papel nessa nova empreitada da televisão, se tornando produtor deste conteúdo.
Para o presidente do Instituto de Estudos de Televisão, o jornalista Nelson Hoineff, os gestores de televisão no Brasil ainda não estão preparados para produzir um conteúdo de qualidade específico para a televisão interativa. Para ele, a TV digital será uma nova mídia.
“Essa idéia de comunicação social como ela é hoje, você tem uma fonte emissora para um conjunto muito grande de receptores que recebem essa informação unidirecionalmente. Isso evidentemente é coisa do passado.”
* (Fontes: “Televisão Digital Terrestre”, de Almir Rosa, e “TV digital interativa”, de Valdecir Becker e Carlos Montez).
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