28/11 - 10:57, atualizada às 12:18 29/11 - Nara Alves, repórter iG no Rio
SÃO PAULO - O conteúdo da televisão digital ainda não entrou na pauta no Brasil. Mesmo nos países que já começaram a adotar a nova tecnologia, como EUA, Japão e Inglaterra, a produção de conteúdo interativo, de alta definição, feita para receptores móveis e portáteis, como celulares, e realizada para minorias ainda é incipiente. A TV Digital estréia neste domingo em São Paulo. Vote na enquete, abaixo, e diga qual é o conteúdo que você mais quer ver em alta definição na TV Digital.
Ao contrário da escolha do padrão tecnológico, que será importado do Japão, o conteúdo da televisão é, em grande parte, nacional. A criação de novos softwares poderá acontecer aqui mesmo no País.
Para o presidente do Instituto de Estudos de Televisão, Nelson Hoineff, o núcleo dessa mudança não está na disputa entre radiodifusoras e teles, mas sim na capacidade de construir conteúdo adequado às novas plataformas.
“É isso que vai determinar se vamos desenhar uma televisão melhor e mais democrática, ou se vamos esperar para mais uma vez sair às compras no infame supermercado do conteúdo e da subserviência”.
No entanto, é preciso entender algumas questões técnicas para deslumbrar as possibilidades de mudanças que a TV digital possibilita no conteúdo.
A TV digital pode ser transmitida por radiofrequência (VHF ou UHF), por satélite, por cabo, pela telefonia ou pela Internet (iTV). A vantagem da radiofrequência, ou terrestre, é que atualmente é o sistema utilizado na maior parte dos televisores brasileiros.
Teoricamente, seria mais fácil realizar a migração para o sinal digital. A desvantagem é a largura do espectro, que não suporta muitos canais, nem serviços interativos, por ausência de um canal de retorno.
O candidato natural a esse canal de retorno é a telefonia, presente em 74,49% dos lares brasileiros em 2006, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contando aparelhos fixos e celulares.
A questão da largura da banda seria resolvida com a transmissão de conteúdo em baixa resolução, o que possibilitaria a multiprogramação.
Já a questão da interatividade depende de um componente externo à TV. Como o telefone ainda não está presente na maioria dos lares de famílias de baixo poder aquisitivo, o principal alvo da inclusão social por meio da TV.
O desafio, portanto, é proporcionar interatividade a essas pessoas por meio da TV aberta e gratuita.
No Brasil, o controle sobre a produção e transmissão de conteúdo para TV está concentrado na mão de algumas poucas emissoras, que detêm também outros meios de comunicação, como rádios, portais na internet e periódicos impressos.
Essas redes, em sua maioria localizada no eixo Rio-São Paulo, não permitem que suas afiliadas distribuídas por diversos estados brasileiros tenham independência sobre o conteúdo transmitido, especialmente durante o horário nobre.
Essa hegemonia faz com que a produção se concentre no sudeste do País – e se reflete, por exemplo, na contratação de atores cariocas que imitam o sotaque nordestino para interpretar um papel em uma cidade cenográfica que reproduz o Nordeste.
Além da alta definição
A TV digital possibilita a multiprogramação (ou multicasting), isto é, a possibilidade de transmissão de até 4 programas com diferentes níveis de definição num único canal de freqüência (de 6 megahertz) utilizado pela TV digital.
No entanto, isso não significa automaticamente que haverá diversidade cultural. Ainda não foi definido um marco regulatório que esclareça como será a distribuição desses novos canais. Nem ao menos se haverá realmente a abertura de novos canais digitais, mesmo que em baixa potência.
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