BRASÍLIA - O Banco do Brasil (BB) "não deve ficar para trás" na corrida pela expansão de mercado, e deve crescer incorporando outras instituições, assim como tem feito o setor financeiro privado, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Mas ao mesmo tempo em que disputa ganhos de escala, como banco público, o BB não tem obrigação de "estar tão voltado para o lucro quanto os bancos privados", segundo o ministro.
Ao anunciar a incorporação do Banco do Estado do Piauí (BEP) pelo BB, no prazo de um ano, Mantega procurou justificar o lucro menor anunciado hoje pelo banco federal. De janeiro a setembro, o lucro líquido acumulado do BB foi de R$ 3,84 bilhões, 19,9% inferior aos R$ 4,796 bilhões de igual período de 2006.
O papel do Banco do Brasil não é ser o banco mais lucrativo do país, disse o ministro, mas o de aumentar o volume de crédito, financiar a agricultura e elevar o capital de giro para pequenas e médias empresas. Segundo Mantega, o banco elevou a oferta de crédito em 23% este ano, e está cumprindo, adequadamente, sua função.
Após cerimônia no Palácio do Planalto, o ministro justificou ainda que há que se descontar o lucro dos bancos privados decorre de venda recente de ativos. O ideal é que todo o sistema financeiro tivesse lucro menor, ponderou ele. E completou que os acionistas do BB estão lucrando: É só ver a valorização das ações, que acumulam alta de 34,8% em 2007, porém abaixo do índice Bovespa que subiu 41,49%.
Sobre a incorporação do BEP, que ainda passará por um longo processo burocrático, o ministro disse que não há o risco de inchamento do BB. É um crescimento tão grande quanto o do setor privado, disse ele, complementando que o aumento de concorrência beneficia o consumidor.
O ministro confirmou que o próximo banco a ser incorporado pelo BB será o Banco de Brasília (BRB), caso o governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, leve adiante a proposta de venda da instituição estatal. Mantega lembrou que o BB já divulgou fato relevante, comunicando essa disposição aos acionistas.
Segundo o ministro, o BB está no Novo Mercado da Bovespa, tem uma gestão profissional e deve se expandir para aumentar a eficiência. Não é só o ABN, o Bradesco e o Itaú que devem crescer; o banco público também tem que crescer, senão vai ficar para trás, afirmou Mantega.
(Azelma Rodrigues | Valor Online)