09/11 - 09:08, atualizada às 12:43 09/11 - Redação com Agência Estado
SÃO PAULO - O Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro) determinou na última quinta-feira que seja feita a apreensão preventiva dos brinquedos Bindeez, importados para o Brasil pela Long Jump. "Apesar de ainda não ter sido determinado se os brinquedos que vieram para o Brasil têm problemas, achamos melhor retirar o produto das prateleiras", afirmou o diretor de qualidade da entidade, Alfredo Lobo.
O recolhimento será feito pelo Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) de cada Estado.
Já o Procon de São Paulo encaminhou nesta sexta-feira notificação à empresa Long Jump, que distribui o brinquedo no Brasil. A companhia tem 48 horas após o recebimento da notificação para prestar esclarecimentos.
O brinquedo, formado por bolinhas que são coladas com água, tem, em alguns lotes, uma substância que, se ingerida, se transforma em outra similar à droga GHB, podendo intoxicar crianças.
O GHB é usado por bandidos no golpe conhecido como "Boa Noite, Cinderela", em que a droga é misturada à bebida da vítima sem seu conhecimento e ela é posteriormente roubada ou até estuprada.
Precauções
A associação de defesa do consumidor Pro Teste recomenda que os pais mantenham o brinquedo fora do alcance das crianças se tiverem o produto em casa. A quem não tem o Bindeez, a associação recomenda que não compre o produto.
No Brasil, não há registro de casos de crianças que passaram mal após ingerir as bolinhas, mas nos EUA duas crianças foram hospitalizadas.
"Se algum consumidor já tiver tido algum prejuízo com o brinquedo, como uma criança ter sido hospitalizada ou ter perdido a consciência, pode fazer sua reclamação à empresa, aos órgãos de defesa do consumidor e até buscar indenização na Justiça", diz a advogada da Pro Teste, Karin Veloso.
A Pro Teste diz ter notificado ontem o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, pedindo maior rigor na fiscalização de brinquedos importados. Ao Inmetro, a associação pediu esclarecimentos sobre os testes que são feitos para certificação dos produtos importados e comercializados no Brasil.
Empresa
A Long Jump disse, em nota à imprensa, que os lotes do brinquedo que chegaram ao Brasil são distintos dos lotes enviados aos EUA, que apresentaram problemas. Segundo a empresa, o brinquedo foi certificado pelo Inmetro e foram realizados análises químicas que mostram que não há dano potencial ao consumidor.
A Long Jump disse ainda que, como precaução, soliciou ao Inmetro que refizesse os testes toxicológicos. A empresa também orienta os pais a manter o brinquedo fora do alcance das crianças até que o laudo do Inmetro seja concluído, o que deve acontecer dentro de 15 dias.
"Se for confirmado o problema nos lotes que vieram ao Brasil, será feito o recall do brinquedo e os consumidores poderão efetuar a troca ou eventualmente terão a devolução dos valores", afirmou o advogado da Long Jump, Marcelo Mendes Pereira.
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