08/11 - 12:08, atualizada às 12:23 08/11 - Agência Estado

Os bancos na Suíça não eram apenas o destino detectado pela Polícia Federal do dinheiro enviado para fora do Brasil. As investigações que resultaram na Operação Kaspar 2 mostram que os executivos das instituições financeiras estrangeiras eram os responsáveis por apresentar os empresários brasileiros ao esquema de evasão de divisas controlado pela doleira Claudine Spiero.
Interceptações telefônicas feitas com autorização da Justiça Federal flagraram conversas entre Claudine e o executivo Luc Mark Depensaz, representante do banco suíço UBS, em que este contava à doleira que ia lhe enviar clientes que precisavam enviar divisas para o exterior. A ligação de Claudine com o UBS é evidenciada, segundo o MPF, pelo fato de ela ter conseguido empregar Daniel Spiero, seu filho, no banco. Daniel está foragido.
Depensaz foi preso anteontem pela PF em um hotel no Itaim Bibi, em São Paulo. Ele e outros executivos do UBS, como o foragido Marc Henri Dizerens, segundo as investigações, passava temporadas no Brasil captando clientes. Segundo a procuradora da República Karen Louise Jeanette Kahn, é muito provável que a direção dos bancos envolvidos incentivassem suas práticas no Brasil. "As instituições financeiras suíças aproveitam brechas em nossa legislação e tratam o Brasil como um quintal florido, um país emergente que vende informalidade e impunidade e é ótimo para a prática da evasão." Exemplo disso, segundo a PF, foi a reação do executivo do UBS ao ser preso. Depensaz desdenhou da ação policial e disse: "Eu não vou ficar preso. Quem tem dinheiro neste país não fica preso." A Superintendência da PF de São Paulo fez constar a frase do executivo no inquérito que apura o caso. "É interessante para a denúncia incluir essa declaração, mas não como um revide, mesmo porque há provas de que o envolvimento dele era muito grande e justificam a manutenção da prisão dele", disse Kharen.
A apuração, segundo a PF, demonstrou que o esquema usava contas bancárias de instituições financeiras nacionais por onde trafegavam dinheiro lícito e ilícito, daí a dificuldade para identificar a evasão e a lavagem. Dos 21 acusados que tiveram a prisão decretada pelo juiz Fausto Martins de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, 19 foram presos pela PF - outro foi detido em flagrante em Salvador, numa das 41 buscas da operação.
A PF e o MPF acharam indícios de que a rede de doleiros controlada por Claudine também era usada para pagamentos de importações de produtos chineses e americanos feitas por empresários brasileiros com valores subfaturados. O subfaturamento servia para sonegar imposto de importação. A diferença entre o valor declarado à alfândega e o valor real do produto era pago aos fornecedores chineses por meio de remessas feitas por Claudine.
Protesto Advogado de um dos acusados presos na operação, o criminalista Alberto Toron protestou ontem contra o fato de, 24 horas depois da operação, os advogados dos suspeitos ainda não haviam obtido acesso aos autos. "Isso é gravíssimo." O criminalista Antônio Claudio Mariz de Oliveira, que defende outro acusado, disse que aguardará o término da prisão temporária para decidir quais medidas pretende tomar.
As informações são do O Estado de S. Paulo *C/ Rodrigo Pereira
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