07/11 - 09:57, atualizada às 13:33 07/11 - Redação com agências
Com o fim das operações da BRA, virou pó o investimento de R$ 180 milhões que um grupo de investidores estrangeiros e mais a Gávea Investimentos, de Armínio Fraga, fizeram na BRA em dezembro do ano passado. Além do fundo da Gávea, o grupo era formado por grandes bancos e fundos de investimentos, como Bank of America, Darby, BBVA, Development Capital, Goldman Sachs, HBK Investments e Millennium Global Investments.
Reunidos na empresa Brazil Air Partners, eles compraram 20% do capital da companhia aérea dos irmãos Folegatti - limite máximo para investidores estrangeiros.
O diretor da BRA, Danilo Amaral, nega que o dinheiro desembolsado pelos investidores tenha sido usado em vão. Segundo ele, parte dos recursos foi destinada para a amortização de dívidas da BRA e outra parcela para cobrir gastos correntes e investimentos. De acordo com o executivo, as negociações para um novo aporte de dinheiro na BRA poderá contar com uma terceira frente, um fundo de participação em empresas (private equity), que ele garante estar interessado em adquirir uma participação acionária na companhia.
Segundo Amaral, a maior preocupação dos acionistas da BRA é o fluxo de caixa, mas que a dificuldade de chegar num consenso entre os investidores é que determinou o pedido de suspensão dos vôos. O diretor afirma que a renúncia de Folegatti da presidência da BRA já não é o maior empecilho para a empresa voltar a voar.
Bilhetes já vendidos
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinou que as empresas aéreas aceitem os passageiros com bilhetes comprados pela BRA. A empresa anunciou na última terça-feira que pediu à Anac a suspensão temporária de todos os seus vôos domésticos e internacionais a partir desta quarta. A assessoria da empresa confirmou, ainda, que todos os seus 1.100 funcionários já receberam aviso prévio e podem ser demitidos em até 30 dias.
A TAM anunciou nesta quarta que irá trocar as passagens dos clientes da BRA, seguindo as exigências da Anac. Os balcões da empresa em Guarulhos amanheceram vazios, sem filas e sem funcionários.
Em nota, a BRA orienta os passageiros que já compraram passagens a não se dirigirem aos aeroportos ou às lojas antes de entrar em contato com o número (11) 3583 0122 para obter detalhes sobre a reacomodação em outras companhias aéreas ou sobre o reembolso da passagem. A Anac afirma que ainda não recebeu do ministério da Defesa como será o procedimento de acomodação dos passageiros que pretendem viajar hoje. Veja os telefones das companhias aéreas e quais são seus direitos
A reportagem do Último Segundo tentou por diversas vezes nesta quarta-feira entrar em contato com o número fornecido, mas não conseguiu ser atendida. O site da empresa exibe apenas um comunicado oficial e dá como opção ao passageiro este telefone ou um e-mail (atendimento@braereo.com.br ).
Com problemas financeiros e operacionais, a companhia já havia suspendido todos os vôos internacionais porque seus dois aviões para vôos para o exterior estão em manutenção.
A suspensão da operação da BRA vale até a companhia conseguir um novo aporte de capital de seus investidores, reunidos no Brazil Air Partners. Entre alguns dos integrantes desse fundo estão a Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e os bancos americanos Goldman Sachs e Bank of America.
Em dezembro de 2006, o Brazil Air Partners comprou 20% do capital da BRA por R$ 180 milhões. Um fornecedor da BRA, que não recebe há dois meses, afirma que já teriam sido aportados cerca de R$ 100 milhões.
O restante só deveria ser desembolsado após a saída do presidente da BRA, Humberto Folegatti, que renunciou no dia 1º, após acordo fechado com os investidores, que queriam seu cargo para poderem reestruturar a companhia.
Frota
A General Electric Commercial Aviation Services (GEcas), empresa de arrendamento de aviões da GE, anunciou hoje que o contrato assinado com a BRA para a compra de dois jatos Embraer 195, que seriam entregues no primeiro semestre do ano que vem, foi cancelado. O motivo foi o atraso no pagamento.
A frota atual da BRA é composta por dez aeronaves, todos Boeings, mas em junho a Embraer anunciou encomenda de até 40 aviões pela BRA. Procurada, a fabricante de aviões disse que não tinha nada a comentar sobre o status atual da encomenda.
Em agosto, o presidente da BRA, Humberto Folegatti, afirmou que a empresa pretendia abrir o capital e que esperava comprar 100 aeronaves da Embraer em um prazo de cinco anos.
Segundo dados da Anac de setembro, a empresa tinha 4,6% do mercado doméstico, à frente da Ocean Air, que estava com 2,61%. A BRA faz em média 315 vôos por mês para 26 destinos nacionais e três internacionais. Fundada em agosto de 1999, operava apenas vôos charter (fretados) até o fim de 2005, quando tornou-se uma empresa regular.
(Com Agência Estado)
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