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BRA pede suspensão de vôos e coloca 1.100 funcionários em aviso prévio

06/11 - 16:26, atualizada às 23:54 06/11 - Redação

RIO DE JANEIRO - A empresa aérea BRA anunciou na tarde desta terça-feira que pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) a suspensão temporária de todos os seus vôos domésticos e internacionais a partir de amanhã, quarta-feira. A assessoria da empresa confirmou, ainda, que todos os seus 1.100 funcionários já receberam aviso prévio e podem ser demitidos em até 30 dias.

 

Os passageiros com passagens já compradas pela BRA deverão ser transportados por empresas congêneres. Em nota, a BRA orienta os passageiros que já compraram passagens a não se dirigirem aos aeroportos ou às lojas antes de entrar em contato com o número (11) 3583 0122 para obter detalhes sobre a reacomodação em outras companhias aéreas ou sobre o reembolso da passagem.

A reportagem do Último Segundo tentou por diversas vezes nesta tarde entrar em contato com o número fornecido, mas não conseguiu ser atendida. O site divulgado pela nota para mais informações, o www.voebra.com.br, também estava fora do ar até o início da noite.

Com problemas financeiros e operacionais, a companhia já havia suspendido todos os vôos internacionais porque seus dois aviões para vôos para o exterior estão em manutenção.

A suspensão da operação da BRA vale até a companhia conseguir um novo aporte de capital de seus investidores, reunidos no Brazil Air Partners. Entre alguns dos integrantes desse fundo estão a Gávea Investimentos, do ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga, e os bancos americanos Goldman Sachs e Bank of America.

Em dezembro de 2006, o Brazil Air Partners comprou 20% do capital da BRA por R$ 180 milhões. Um fornecedor da BRA, que não recebe há dois meses, afirma que já teriam sido aportados cerca de R$ 100 milhões.

O restante só deveria ser desembolsado após a saída do presidente da BRA, Humberto Folegatti, que renunciou no dia 1º, após acordo fechado com os investidores, que queriam seu cargo para poderem reestruturar a companhia.

Frota

A General Electric Commercial Aviation Services (GEcas), empresa de arrendamento de aviões da GE, anunciou hoje que o contrato assinado com a BRA para a compra de dois jatos Embraer 195, que seriam entregues no primeiro semestre do ano que vem, foi cancelado. O motivo foi o atraso no pagamento.

A frota atual da BRA é composta por dez aeronaves, todos Boeings, mas em junho a Embraer anunciou encomenda de até 40 aviões pela BRA. Procurada, a fabricante de aviões disse que não tinha nada a comentar sobre o status atual da encomenda.

Em agosto, o presidente da BRA, Humberto Folegatti, afirmou que a empresa pretendia abrir o capital e que esperava comprar 100 aeronaves da Embraer em um prazo de cinco anos.

Segundo dados da Anac de setembro, a empresa tinha 4,6% do mercado doméstico, à frente da Ocean Air, que estava com 2,61%. A BRA faz em média 315 vôos por mês para 26 destinos nacionais e três internacionais. Fundada em agosto de 1999, operava apenas vôos charter (fretados) até o fim de 2005, quando tornou-se uma empresa regular.

(Com informações da Agência Estado e da Reuters)

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