31/10 - 18:34, atualizada às 19:56 31/10 - Paula Leite, da reportagem iG em São Paulo
SÃO PAULO - A bolsa terminou outubro com bom desempenho, acumulando alta de 8,02% no mês, que foi de recordes e de nervosismo nos mercados. A Bovespa, que no final de setembro operava no nível de 60 mil pontos, fechou nesta quarta-feira a 65.317 pontos, em alta de 1,45% no dia.
Nesta quinta, às 11h, o economista Álvaro Bandeira, da corretora Ágora, participa de chat, respondendo perguntas dos internautas sobre investimentos e sobre o comportamento dos mercados em outubro.

Volatilidade
"A bolsa fechou bem o mês, mas teve volatilidade no período", diz Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da corretora Gradual. A causa principal do nervosismo é ainda a incerteza quanto às conseqüências da chamada crise do subprime nos Estados Unidos, que deixa o mercado em alerta, segundo o analista.
Houve dias de grande queda durante o mês, como em 03/10, quando a bolsa caiu 3,09% depois de o banco JP Morgan rebaixar sua recomendação para as ações da Vale do Rio Doce. Já em 19/10 a bolsa caiu 3,74%, seguindo os mercados dos EUA, que tiveram queda devido aos lucros abaixo do esperado de várias empresas.
Em 26/10, entretanto, a Bovespa registrou alta de 3,10%. Neste dia estrearam as ações da Bovespa Holding, controladora da bolsa paulistana, que tiveram alta de 52% em seu primeiro dia de negociação.
Dólar
O dólar também bateu recordes de baixa neste mês, fechando nesta quarta cotado a R$ 1,737, baixa de 0,86% no dia e a menor cotação em sete anos e meio. No mês, a moeda norte-americana caiu 5,34%.
"O dólar reagiu ao fluxo forte de entrada de moeda para IPOs [oferta pública inicial de ações] e para investimentos diretos", diz Silveira.
Outro fator que atraiu os investidores foi a possibilidade de fazer arbitragem. Funciona assim: como os juros no Brasil são mais altos que os dos Estados Unidos, por exemplo, o investidor transforma seus dólares em reais e investe em títulos locais. Seu dinheiro rende e, na saída, ainda consegue comprar mais dólares com seus reais devido à queda da moeda norte-americana.
A diferença entre os juros brasileiros e norte-americanos foi reforçada neste mês pelo fato de que o Banco Central manteve a taxa Selic, os juros básicos da economia brasileira, em 11,25%, enquanto o Fed, o banco central dos EUA, cortou hoje sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 4,5% ao ano.
Expectativa
No mês de novembro, a bolsa e o dólar devem manter seus movimentos recentes. Para Emilio Garofalo Filho, analista de mercados do site da corretora Intra, só realizações de lucros, quando os investidores vendem suas ações para embolsar o ganho com a alta delas, podem reverter a alta da bolsa, mas apenas temporariamente.
Apesar de a bolsa se encontrar em um patamar alto e passar por alguma volatilidade, isso não deve assustar o pequeno investidor. Para os analistas, quem pretende deixar o dinheiro em ações a longo prazo tem boa perspectiva, já que a tendência é que a Bovespa continue subindo.
No ano, a Bovespa acumula alta de 46,9%. Isso significa que quem investiu R$ 1.000 no início do ano tem hoje R$ 1.469, antes do pagamento de taxas à corretora ou ao banco e de impostos.
Para o dólar, "a tendência também é continuar caindo", diz Silveira, devido à decisão do Copom de manter os juros em 11,25%. A diferença entre os juros brasileiros e norte-americanos torna pouco atrativo aos investidores tirar seu dinheiro do mercado brasileiro e investir no mercado dos EUA.
Isso só deve acontecer em caso de tensões geopolíticas que assustem o mercado, já que os títulos do Tesouro norte-americano são considerados os mais seguros do mundo. Portanto, quem vai comprar moeda estrangeira para viajar ou para comprar produtos no exterior pode querer esperar um pouco mais.
Como investir na bolsa
O pequeno investidor que quer colocar dinheiro na bolsa tem algumas opções. A primeira delas são os fundos de investimento, administrados por bancos e corretoras.
Há opções de fundos investimento mínimo de a partir de R$ 200, e o investidor não precisa escolher quais ações comprar. Um gestor faz isso por ele, e por isso é cobrada uma taxa de administração.
Alguns fundos de investimento em ações acompanham índices, como o Ibovespa (que reúne as 60 ações mais negociadas) e IBrX50 (que reúne as 50 ações de maior liquidez). Outros investem em ações de empresas de um determinado setor ou de um certo perfil.
Outra possibilidade é investir diretamente em ações. Neste caso, o investidor precisa ser cliente de uma corretora. O investidor pede à corretora que compre e venda ações segundo seu desejo, e geralmente é cobrada uma taxa por operação.
A maioria das corretoras têm plataformas on-line, nas quais o investidor pode acompanhar o mercado e ordenar a compra e a venda de papéis pela internet. Apesar de a corretora executar as ordens, as ações ficam em nome do investidor.
Uma terceira opção são os clubes de investimento, em que alguns investidores se reúnem em um grupo, juntam seu dinheiro e compram ações com o montante que reuniram. O grupo também precisa ser cliente de uma corretora, e uma pessoa escolhida por ele realiza as ordens de compra e venda das ações.
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